Regras da UE contra desmatamento ameaçam exportações de soja do Brasil
Novas exigências da União Europeia favorecem a Argentina e podem reduzir em 4 milhões de toneladas as exportações brasileiras de farelo de soja.
Pontos principais
- O regulamento EUDR entra em vigor em 30 de dezembro, exigindo comprovação de que produtos não provêm de áreas desmatadas.
- O Brasil enfrenta dificuldades logísticas e de rastreabilidade, sendo classificado como risco médio pela FEFAC.
- A Argentina ganha vantagem competitiva por possuir o sistema de rastreabilidade VISEC e ser considerada de baixo risco.
- O setor agrícola brasileiro alerta para obstáculos estruturais que podem comprometer o fornecimento ao mercado europeu.
A partir de 30 de dezembro, a União Europeia implementará o regulamento EUDR, que exige a comprovação de que produtos importados não estão vinculados ao desmatamento. Como maior fornecedor de farelo de soja para o bloco, o Brasil corre o risco de perder até 4 milhões de toneladas em exportações devido a desafios estruturais e dificuldades na rastreabilidade da produção. A Federação Europeia de Fabricantes de Ração classificou o país como de risco médio, complicando a conformidade dos produtores locais com as novas exigências ambientais.
Em contrapartida, a Argentina emerge como uma alternativa competitiva para suprir a demanda europeia, sendo classificada como de baixo risco devido ao sistema de rastreabilidade VISEC. Além da vantagem tecnológica, a proximidade das áreas de cultivo aos portos facilita a logística argentina, colocando o país em posição favorável frente ao mercado brasileiro. O Paraguai também busca se posicionar como um fornecedor alinhado às novas normas, aumentando a pressão sobre a competitividade do agronegócio brasileiro na Europa.
