Inadimplência das famílias atinge o maior nível desde 2012
O Banco Central registra ativos problemáticos em 9,2% da carteira de crédito às famílias no Brasil em junho de 2026, o maior nível desde 2012 na maioria das modalidades.
Pontos principais
- O não consignado lidera, com 14,9% de ativos problemáticos, seguido por cartão de crédito (12,7%) e rural e agroindustrial (10,3%).
- Veículos estão em 8,5%, habitacional em 5,1% e consignado em 5,0%, e o índice subiu em todas as modalidades no primeiro semestre.
- Para o BC, o comprometimento de renda das famílias está no nível mais alto dos últimos 21 anos.
- As estimativas de probabilidade de default do BC indicam que os ativos problemáticos devem seguir elevados na maioria das modalidades ao longo de 2026.
- O BC estuda medidas macroprudenciais para segmentos de crédito de maior risco, com o objetivo de reduzir o superendividamento.
- O sistema financeiro nacional segue resiliente, apesar da maior materialização de riscos.
O Banco Central divulgou nesta terça-feira (27) o Relatório de Estabilidade Financeira. Segundo a instituição, a inadimplência é o principal fator da alta dos ativos problemáticos, e ela teria subido mesmo sem a mudança nas regras de baixa a prejuízo adotada em 2025.
No sistema financeiro como um todo, essa mudança explica cerca de 45% da alta de 1,76 ponto percentual da inadimplência desde dezembro de 2024. O comprometimento de renda voltou a crescer no primeiro semestre, com maior impacto sobre os tomadores de menor renda, e as famílias recorreram mais a modalidades onerosas, como cartão de crédito e crédito não consignado.
