Ações judiciais por dívidas batem recorde de 1,2 milhão em 2025
O volume de processos de cobrança cresceu 60% em cinco anos, impulsionado pelo alto endividamento das famílias e pela facilidade no acesso ao crédito.
Pontos principais
- O número de execuções judiciais de títulos não fiscais saltou de 772 mil em 2020 para 1,23 milhão em 2025.
- Especialistas apontam a facilidade de crédito e o uso de apostas esportivas como fatores que agravam o superendividamento.
- O comprometimento da renda familiar atingiu o recorde de 28,9% em julho, pressionando a inadimplência no crédito livre.
- A Lei do Superendividamento exige que instituições financeiras avaliem a real capacidade de pagamento antes de conceder empréstimos.
O Brasil registrou um recorde de 1,2 milhão de ações judiciais para cobrança de dívidas privadas em 2025, um aumento de cerca de 60% em relação aos níveis observados em 2020. O cenário reflete uma crise de endividamento das famílias, que comprometeram 28,9% de sua renda mensal com pagamentos de dívidas em julho, o maior patamar da série histórica iniciada em 2011. Especialistas e magistrados identificam a combinação entre a facilidade de acesso ao crédito, a falta de uma cultura de renegociação extrajudicial e o impacto das apostas esportivas como os principais motores desse crescimento. Diante da deterioração dos indicadores de crédito e da inadimplência, que atinge 7,8% no crédito livre, o Banco Central avalia a implementação de novas regras prudenciais para conter o avanço do superendividamento no país.
