Ex-diretor do FBI James Comey é denunciado pela terceira vez nos EUA
O Departamento de Justiça dos EUA acusou James Comey de transmitir informações de defesa nacional em 2016, por uma acusação feita sem júri que a defesa considera prescrita.
Pontos principais
- O Departamento de Justiça apresentou uma informação criminal, feita pelo promotor sem júri de acusação, protocolada em 5 de outubro de 2026 sob sigilo.
- Segundo o Departamento de Justiça, Comey transmitiu, em 5 de outubro de 2016, informações de defesa nacional a pessoa não autorizada a recebê-las.
- O Departamento diz apenas que Comey tinha razão para crer que as informações poderiam prejudicar os EUA ou beneficiar outra nação, sem alegar dano concreto.
- A segunda acusação é de conspiração, sem data de início definida e até a data da acusação, com um único ato apontado: 5 de outubro de 2016.
- Nesse dia, por meio de cúmplices, Comey teria direcionado o 'Individual #1' a divulgar as informações a um repórter de veículo nacional de notícias.
- Segundo a defesa, o veículo é o New York Times.
- Segundo a defesa, o caso foi investigado em 2017 (Connecticut) e em 2019 (Washington, 'Tropic Vortex'), e nas duas vezes não houve denúncia.
- Em 16 de outubro, a defesa pediu a anulação: a lei de 1950 que estende para dez anos o prazo de prescrição fala em acusação do júri (indictment), não em informação, e o prazo comum de cinco anos expirou em 5 de outubro de 2021.
- Segundo a defesa, em audiência de 9 de outubro o governo concordou em não levar o caso a júri por 30 dias, enquanto a moção estivesse pendente.
- Segundo a defesa, é a terceira tentativa de processar Comey em 13 meses: uma, na Virgínia, teve a acusação anulada em 2025, e outra, na Carolina do Norte, tem moções pendentes.
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos acusou o ex-diretor do FBI James Comey de ter feito com que informações de defesa nacional fossem divulgadas a um repórter em outubro de 2016. Procuradores do próprio Departamento assinaram a acusação, apresentada em Washington sem passar por júri de acusação, o que a torna uma informação criminal. Esse é o ponto em disputa: a defesa sustenta que o prazo estendido para crimes de espionagem vale apenas para acusações formuladas por júri, e que o prazo comum já passou.
A defesa não discute o mérito. Ela pede apenas a anulação por prescrição e nega que Comey tenha violado a lei.
Fontes primárias
Criminal Information, United States v. James Brien Comey, Jr., nº 1:26-cr-00229-TNM (D.D.C.)
Informação criminal (criminal information, sem indictment de grand jury) apresentada em 5/10/2026 sob sigilo e tornada pública na segunda-feira, 26/10. Count One: em 5/10/2016, Comey, tendo posse de informação relativa à defesa nacional e razão para crer que ela poderia prejudicar os EUA ou beneficiar nação estrangeira, comunicou e transmitiu essa informação a pessoa não autorizada a recebê-la (18 U.S.C. § 793(d)). Count Two: conspiração para violar o § 793(d) e (g), desde data incerta até a data do documento; em execução, no mesmo 5/10/2016, ‘por meio de um ou mais co-conspiradores’, direcionou o ‘Individual #1’ a divulgar informação de defesa nacional a repórter de veículo de notícias nacional. Pede confisco de bens ligados ao delito (§ 793(h)). Assinada por três procuradores auxiliares do DC e pelo Procurador-Geral Adjunto interino R. Trent McCotter e pelo Procurador-Geral Adjunto associado Aakash Singh.
James B. Comey Jr.’s Motion to Dismiss Criminal Information (Doc. 11)
Moção da defesa, protocolada em 16/10/2026, para anular a informação criminal. Argumento central: o prazo prescricional de dez anos para crimes do § 793 (18 U.S.C. § 3282) só pode ser invocado por indictment de grand jury, não por information, e o termo ‘indictment’ na lei não abrange ‘information’. Também contesta a tese governamental de que a conspiração do Count Two altera essa análise e pede que o processo seja tornado público.
