Comissão de Meio Ambiente do Senado debate tarifas dos EUA
Na audiência da CMA, a AmCham informou que 26% das exportações brasileiras aos EUA estão sob as alíquotas mais altas, de 37,5%, e o MMA contestou a tese de que o desmatamento favorece o agro americano.
Pontos principais
- Erlon Brandão, do MDIC: os EUA foram destino de 10,8% das exportações brasileiras em 2025, US$ 37,7 bilhões, e as vendas caíram mais de 6% de janeiro a setembro de 2026.
- Fabrício Panzini, da AmCham Brasil: 53% das exportações brasileiras aos EUA estão isentas, ante 38% até fevereiro; a fatia sob as alíquotas mais altas caiu de 33% para 26% a partir de julho.
- A alíquota de 37,5% soma 25% pela seção 301 e 12,5% sob a alegação de que o Brasil não controla o trabalho forçado, segundo Renato Baumann, do Ipea.
- Baumann: o Brasil teve superávit com os EUA em 16 dos últimos 40 anos e tem déficit desde 2008, o que não sustenta o argumento de déficit comercial usado por Washington.
- André Rodolfo de Lima, do MMA: redução de 3,25 milhões de hectares de desmatamento na Amazônia e no Cerrado em quatro anos, com 1,16 bilhão de toneladas de CO2 equivalente deixadas de emitir.
- Lima: a Amazônia teve, em 2026, a menor taxa de desmatamento da série iniciada em 1988.
- Fernando Landgraf, da USP: dos 22 projetos de terras raras no Brasil, levantados pela Folha de S.Paulo, todos são de empresas estrangeiras, e no máximo cinco devem virar minas.
- A Única, em nota lida na audiência: a tarifa brasileira de 18% sobre a importação de etanol é compatível com as regras da OMC.
A Comissão de Meio Ambiente do Senado realizou nesta quinta-feira, 22 de outubro de 2026, uma audiência pública sobre as tarifas dos Estados Unidos ao Brasil e seus efeitos nas agendas ambiental, climática e energética. A senadora Leany Lemos (PSB-DF), que presidiu a sessão, afirmou que os EUA se posicionam como “estratégia de dominância” e lembrou a frase do secretário de Estado Marco Rubio sobre “retomar o controle do nosso quintal”.
Renato Baumann, pesquisador do Ipea, classificou a política tarifária americana como eleitoral, ideológica e comportamental, e disse que não é possível prever os próximos passos de Washington. Para ele, o governo Trump busca reindustrializar o país e usar as barreiras para atrair investimentos para os EUA.
Pelo Ministério do Meio Ambiente, André Rodolfo de Lima chamou de “grande falácia” a tese da seção 301 de que o desmatamento brasileiro favorece o agro americano. Ele disse que o governo já respondeu a 30 perguntas da consulta da seção 301 com esses dados.
Fernando Landgraf, da Escola Politécnica da USP, afirmou que agregar valor às terras raras exige uma refinaria de separação e uma fábrica de ímãs, com investimento de cerca de US$ 1 bilhão, em um mercado mundial de cerca de US$ 8 bilhões por ano.
Roberto Furian Ardengue, do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), disse que o petróleo ficou isento em todos os movimentos tarifários e que o setor quer evitar barreiras a etanol, biodiesel e SAF.
