Banco Central estuda limitar crédito sem garantia com base na renda
Segundo fontes ouvidas pela Reuters, o Banco Central do Brasil prepara medidas graduais para conter o endividamento das famílias, com divulgação mais rígida, e estuda limitar o crédito sem garantia pela renda do tomador.
Pontos principais
- Segundo fontes ouvidas pela Reuters, o Banco Central prepara um pacote de medidas contra o endividamento das famílias, aplicado de forma gradual.
- Entre as medidas em estudo estão regras de divulgação mais rígidas, para que o cliente veja as condições do empréstimo antes de assinar.
- Também se estuda checagem mais rigorosa da situação financeira do tomador antes da concessão de crédito.
- Aumento das exigências de capital provavelmente não entrará no primeiro pacote.
- Em Singapura, quem ganha até cerca de S$ 30 mil por ano pode manter dívida sem garantia de até dois meses de renda.
- Na faixa de S$ 30 mil a S$ 120 mil anuais, o limite sobe para quatro meses de renda; acima disso, não há limite.
- Uma das fontes classifica o modelo singapuriano como bem-sucedido.
- A discussão se apoia em acessibilidade (capacidade de pagar sem esforço excessivo) e adequação do produto ao perfil do cliente.
Em Brasília, o Banco Central prepara um pacote de medidas para conter o endividamento das famílias, segundo duas pessoas envolvidas nas discussões, ouvidas pela Reuters sob condição de anonimato. A autarquia já sinalizou que pretende endurecer a supervisão do crédito sem garantia, incluindo o cartão de crédito. Entre as medidas em estudo estão regras de divulgação mais rígidas e uma checagem mais rigorosa da situação financeira do tomador antes da concessão. As medidas devem ser aplicadas gradualmente, e o aumento de exigências de capital provavelmente não fará parte do primeiro pacote.
Ao mesmo tempo, o Banco Central analisa modelos estrangeiros que atrelam o crédito sem garantia à renda. O de Singapura, citado nas discussões, permite manter dívida sem garantia de até dois meses de renda para quem ganha até cerca de S$ 30 mil por ano (US$ 23,4 mil); na faixa de S$ 30 mil a S$ 120 mil, o limite sobe para quatro meses, e acima disso não há limite. Uma das fontes classificou o exemplo singapuriano como bem-sucedido, mas as fontes não indicam se o modelo será adotado no Brasil.
A discussão se apoia em dois conceitos: a acessibilidade, ou seja, se o tomador consegue pagar sem esforço excessivo, e a adequação do produto ao perfil e às necessidades do cliente. O Banco Central declinou comentar.
