Agronegócio avalia riscos geopolíticos na disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro
Setor rural admite incertezas sobre Flávio Bolsonaro, mas teme juros altos com Lula e vê risco para a relação com a China em um alinhamento a Trump.
Pontos principais
- Flávio Bolsonaro venceu Lula com folga no primeiro turno em municípios de forte presença do agronegócio, e teve apoio declarado da bancada ruralista no Congresso.
- Antonio da Luz, economista-chefe da Farsul, afirma que um novo governo Lula aprofundaria o problema fiscal e manteria juros de dois dígitos “por mais uns anos”.
- Frederico Favacho, sócio de agronegócios do Santos Neto Advogados, afirma que um alinhamento automático do Brasil aos EUA e ao governo Trump colocaria em risco a relação com a China, principal cliente do agro.
- Rubens Barbosa, ex-embaixador, diz que Pequim aprovou regras que lhe permitem aplicar reciprocidade a parceiros que tomem medidas contra a China, e que “qualquer posição radical a favor dos EUA pode ter consequências sérias para o agro”.
- Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior, vê remota a possibilidade de acordo de livre comércio com os EUA e não espera mudança no perfil das exportações ao mercado americano.
- Segundo o Estadão, Trump exigiu do Brasil, em janeiro, a eliminação da tarifa de 18% sobre a importação de etanol.
- Uma liderança ruralista e dois grandes produtores, sob anonimato, dizem que a atuação de Eduardo Bolsonaro nos EUA irritou o agro ao respaldar as tarifas de Trump ao Brasil.
- Lideranças de setores exportadores temem a inclusão do Brasil no Escudo das Américas, coalizão criada por Trump contra o narcotráfico no continente, por avaliarem que isso afetaria as relações com a China.
Empresários e profissionais ligados ao agronegócio brasileiro admitem incertezas sobre um eventual governo Flávio Bolsonaro, mas temem que uma reeleição de Lula amplie gastos e mantenha os juros elevados, o que pesa sobre produtores endividados. O advogado Ruy Toledo Piza, da TN Advogados, avalia que Flávio também terá pouco espaço para cortes profundos, já que precisará manter governabilidade para ter quórum com o centrão. Um grande produtor de cana-de-açúcar, que pediu anonimato, espera juros menores e menos burocracia com Flávio, mas teme a alta dos juros e uma implementação acelerada da escala de trabalho 5x2 com Lula.
Na frente externa, Welber Barral diz que o maior risco é arrumar confusão com a China e com os países asiáticos, que hoje são os grandes compradores, e que a China agora está ainda mais poderosa. Para o ex-embaixador Rubens Barbosa, se Flávio vencer, a posição do ministro das Relações Exteriores será a mais importante para o agro.
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