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Agronegócio avalia riscos geopolíticos na disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro

Setor rural admite incertezas sobre Flávio Bolsonaro, mas teme juros altos com Lula e vê risco para a relação com a China em um alinhamento a Trump.

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Foto: Globo Rural
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18/10 às 23:15, atualizado 19/10 às 05:31

Pontos principais

  • Flávio Bolsonaro venceu Lula com folga no primeiro turno em municípios de forte presença do agronegócio, e teve apoio declarado da bancada ruralista no Congresso.
  • Antonio da Luz, economista-chefe da Farsul, afirma que um novo governo Lula aprofundaria o problema fiscal e manteria juros de dois dígitos “por mais uns anos”.
  • Frederico Favacho, sócio de agronegócios do Santos Neto Advogados, afirma que um alinhamento automático do Brasil aos EUA e ao governo Trump colocaria em risco a relação com a China, principal cliente do agro.
  • Rubens Barbosa, ex-embaixador, diz que Pequim aprovou regras que lhe permitem aplicar reciprocidade a parceiros que tomem medidas contra a China, e que “qualquer posição radical a favor dos EUA pode ter consequências sérias para o agro”.
  • Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior, vê remota a possibilidade de acordo de livre comércio com os EUA e não espera mudança no perfil das exportações ao mercado americano.
  • Segundo o Estadão, Trump exigiu do Brasil, em janeiro, a eliminação da tarifa de 18% sobre a importação de etanol.
  • Uma liderança ruralista e dois grandes produtores, sob anonimato, dizem que a atuação de Eduardo Bolsonaro nos EUA irritou o agro ao respaldar as tarifas de Trump ao Brasil.
  • Lideranças de setores exportadores temem a inclusão do Brasil no Escudo das Américas, coalizão criada por Trump contra o narcotráfico no continente, por avaliarem que isso afetaria as relações com a China.

Empresários e profissionais ligados ao agronegócio brasileiro admitem incertezas sobre um eventual governo Flávio Bolsonaro, mas temem que uma reeleição de Lula amplie gastos e mantenha os juros elevados, o que pesa sobre produtores endividados. O advogado Ruy Toledo Piza, da TN Advogados, avalia que Flávio também terá pouco espaço para cortes profundos, já que precisará manter governabilidade para ter quórum com o centrão. Um grande produtor de cana-de-açúcar, que pediu anonimato, espera juros menores e menos burocracia com Flávio, mas teme a alta dos juros e uma implementação acelerada da escala de trabalho 5x2 com Lula.

Na frente externa, Welber Barral diz que o maior risco é arrumar confusão com a China e com os países asiáticos, que hoje são os grandes compradores, e que a China agora está ainda mais poderosa. Para o ex-embaixador Rubens Barbosa, se Flávio vencer, a posição do ministro das Relações Exteriores será a mais importante para o agro.

Fonte primária

Valor Econômico (apuração própria, via Globo Rural)

Com Flávio, agro aposta em melhora fiscal, mas teme alinhamento a Trump

Reportagem baseada em conversas do Valor com empresários e profissionais do agro. Flávio Bolsonaro venceu com folga Lula no primeiro turno em municípios de forte presença do agronegócio e recebeu apoio declarado da bancada ruralista, mas o setor admite incertezas sobre um eventual governo Flávio e teme que uma reeleição de Lula aprofunde o problema fiscal e mantenha os juros altos, o que agrava o endividamento dos produtores. O economista-chefe da Farsul, Antonio da Luz, diz não ver perspectiva de avanço em infraestrutura de escoamento nem em projetos de mineração de fertilizantes num eventual governo Lula, mas não vê firmeza de Flávio nesses temas. O advogado Frederico Favacho afirma que um alinhamento automático do Brasil com os EUA e com o governo Trump colocaria em risco a relação com a China, principal cliente do agro. Welber Barral (ex-secretário de Comércio Exterior) vê remota a possibilidade de acordo de livre comércio com os EUA e não espera mudança no perfil das exportações ao mercado americano. Rubens Barbosa (ex-embaixador) diz que a posição do Itamaraty será decisiva e que qualquer posição radical a favor dos EUA pode ter consequências sérias para o agro, já que Pequim aprovou regras de reciprocidade. Uma liderança ruralista e dois grandes produtores, sob anonimato, afirmam que a atuação de Eduardo Bolsonaro nos EUA irritou o agro ao respaldar as tarifas de Trump ao Brasil. Há temor também com a eventual inclusão do Brasil no Escudo das Américas, coalizão criada por Trump. Segundo a reportagem, o Estadão revelou que Trump fez exigências ao Brasil em janeiro, entre elas a eliminação da tarifa de 18% sobre o etanol. As campanhas de Flávio Bolsonaro e Lula não responderam aos pedidos de comentário.

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