Conselheiros da Oncoclínicas acionam CVM contra gestão da empresa
Três conselheiros independentes da Oncoclínicas, companhia brasileira, reclamaram à CVM contra o chairman e diretores e pedem que o órgão verifique se há bloco de controle não declarado.
Pontos principais
- Os conselheiros falam em “sequestro da administração” por um grupo de conselheiros e da diretoria.
- Segundo os conselheiros, a diretoria incluiu R$ 630 milhões em créditos do BTS Goiânia no quadro de credores sem auditoria nem laudo, fato que descobriram na reunião de 8 de outubro.
- A representante da BR Partners, assessora da companhia, disse em reunião de 9 de outubro que a orientação partiu da diretoria em 2 de outubro.
- Segundo os conselheiros, o board havia decidido que esses créditos eram ilíquidos e ficariam fora da recuperação até uma auditoria das notas fiscais e avaliação dos ativos.
- A Cedro Participações, do empresário Lucas Kallas, diz que o contrato de janeiro de 2023, para a construção de um hospital em Goiânia com investimento superior a R$ 600 milhões, foi rescindido pela companhia em junho de 2026.
- Segundo os conselheiros, a contratação do BTS Goiânia está sob apuração de um comitê independente da companhia.
- Pedem que a CVM verifique se Latache, Lumen e Bruno Ferrari formam bloco de controle e se Latache e Lumen deram informações enganosas ao comunicar participações.
- Pedem investigação de Marcelo Curti, dos conselheiros Antonio Claudio Correa Leite Buchaul e Marco Aurélio Freire Barreto, e dos diretores Carlos Gil e Maurício Hasson.
- Dizem que as assembleias de 3 de novembro (suspensão de direitos da Josephina III, pedida pela Latache) e de 6 de novembro (eleição de todo o conselho) não passaram pelo colegiado; a de 6 de novembro traz Curti e Hélio Paulo Ferraz, indicados pela Lumen, como presidente e vice.
- A renúncia de Paulo Belém, em 30 de setembro, teria tirado da ala ligada à Latache, ao fundo Lumen e a Bruno Ferrari a maioria nas votações, segundo os conselheiros.
- Dizem que a conversão de dívida em ações nunca foi negociada com credores e que a dívida líquida projetada fica em 11 vezes o Ebitda logo após a recuperação, o que pode levar a nova reestruturação.
Três conselheiros independentes da Oncoclínicas, companhia brasileira em processo de recuperação, levaram à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão regulador do mercado de capitais do Brasil, uma reclamação formal datada de 13 de outubro. Eles questionam a inclusão de créditos do BTS Goiânia no quadro de credores e acusam o presidente do conselho, Marcelo Curti, e a diretoria de conduzir a companhia sem deliberação do colegiado: segundo eles, assembleias foram convocadas sem passar pelo board, e temas que pediram em ata, como a contratação de auditoria e de escritório de advocacia para o caso BTS Goiânia, deixaram de ser pautados.
Em resposta à notificação dos conselheiros, Curti afirmou que as matérias que exijam deliberação serão submetidas ao colegiado, em reunião convocada na forma da lei e do estatuto. A Latache rejeita a formação de bloco de controle e diz que nenhum dos atuais conselheiros foi indicado por ela. A Cedro Participações, que não é parte na reclamação, afirma que os conselheiros não questionam a existência do contrato, da obra ou da rescisão, mas pedem que a dívida fique fora da lista até uma auditoria: “ilíquido não significa inexistente”.
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