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Vorcaro diz ter pago R$ 30 mi por filme sobre Lula; PGR não avançou sem provas

Em áudio e em anexo à PGR obtidos pela Veja, Daniel Vorcaro diz ter pago R$ 30 milhões em espécie para um documentário sobre Lula como condição para credenciar o Banco Master em fundos de pensão de estatais brasileiras; a PGR não levou o caso adiante, e Lula nega ter recebido vantagem financeira.

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Foto: brasil.perfil.com
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09/10 às 07:45 · atualizado 09:11

Pontos principais

  • Vorcaro afirma ter pago cerca de R$ 30 milhões em espécie, "por fora", para o documentário "Lula", e um valor não revelado ao Instituto Lula.
  • No anexo, Vorcaro escreve que os adiantamentos eram necessários para haver votos suficientes no credenciamento do Master nos fundos do Banco do Brasil, da Caixa Asset e da Previ.
  • Vorcaro diz que o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto exigiu, além do adiantamento, 10% de tudo o que o banco captasse nos fundos da Caixa, do Banco do Brasil, da Petrobras e dos Correios.
  • Vorcaro escreve que um operador ligado a Alexandre Padilha e a Olavo Noleto cobrou a mesma taxa de 10% para abrir as portas de Previ, Petros e Postalis.
  • Vorcaro afirma ter oferecido às autoridades mensagens de WhatsApp, registro de entrada no Planalto, e-mails, atas de reuniões nos fundos, comprovantes de pagamento e dados de voos.
  • A PGR não levou o caso adiante, com a justificativa de que não havia provas, já que os pagamentos teriam sido feitos em dinheiro vivo.

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e preso desde março em Brasília, afirma, em áudio e em anexo à Procuradoria-Geral da República obtidos pela revista Veja, que pagou "por fora", em dinheiro vivo, pelo documentário "Lula", de Oliver Stone, gravado no exterior, e também ao Instituto Lula, gerenciado por Paulo Okamotto. No áudio, ele compara com o dinheiro dado ao filme "Dark Horse", sobre Jair Bolsonaro, que chama de patrocínio normal: "O filme do Lula eu coloquei acho que até mais. Só que o do Lula foi por fora, foi errado".

No anexo, Vorcaro conta que o então sócio Augusto Lima se reuniu com o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto por meio de caciques do PT da Bahia, e que Jaques Wagner, então líder do governo Lula no Senado, intermediou o primeiro encontro. Ele cita ainda Alexandre Padilha, então ministro das Relações Institucionais, e Olavo Noleto, secretário-executivo da pasta, com quem um operador ligado a eles teria tratado o acesso aos fundos.

Vorcaro levou o anexo à PGR em junho, quando a segunda proposta de delação dele foi descartada. A Procuradoria não levou o caso adiante, com a justificativa de que não havia provas, já que os pagamentos teriam sido feitos em espécie. A primeira tentativa de delação fracassou porque ele omitiu fatos aos investigadores; a segunda também não prosperou, e ele prepara uma terceira proposta.

Lula disse que "jamais solicitou ou recebeu qualquer vantagem financeira nem autorizou terceiros a receber recursos de Vorcaro em seu nome". Olavo Noleto afirmou não ter qualquer relação com Vorcaro nem ter recebido recursos dele, e Alexandre Padilha também negou relação com o banqueiro. Os demais citados não se manifestaram.

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