Vorcaro diz ter pago R$ 30 mi por filme sobre Lula; PGR não avançou sem provas
Em áudio e em anexo à PGR obtidos pela Veja, Daniel Vorcaro diz ter pago R$ 30 milhões em espécie para um documentário sobre Lula como condição para credenciar o Banco Master em fundos de pensão de estatais brasileiras; a PGR não levou o caso adiante, e Lula nega ter recebido vantagem financeira.
Pontos principais
- Vorcaro afirma ter pago cerca de R$ 30 milhões em espécie, "por fora", para o documentário "Lula", e um valor não revelado ao Instituto Lula.
- No anexo, Vorcaro escreve que os adiantamentos eram necessários para haver votos suficientes no credenciamento do Master nos fundos do Banco do Brasil, da Caixa Asset e da Previ.
- Vorcaro diz que o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto exigiu, além do adiantamento, 10% de tudo o que o banco captasse nos fundos da Caixa, do Banco do Brasil, da Petrobras e dos Correios.
- Vorcaro escreve que um operador ligado a Alexandre Padilha e a Olavo Noleto cobrou a mesma taxa de 10% para abrir as portas de Previ, Petros e Postalis.
- Vorcaro afirma ter oferecido às autoridades mensagens de WhatsApp, registro de entrada no Planalto, e-mails, atas de reuniões nos fundos, comprovantes de pagamento e dados de voos.
- A PGR não levou o caso adiante, com a justificativa de que não havia provas, já que os pagamentos teriam sido feitos em dinheiro vivo.
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e preso desde março em Brasília, afirma, em áudio e em anexo à Procuradoria-Geral da República obtidos pela revista Veja, que pagou "por fora", em dinheiro vivo, pelo documentário "Lula", de Oliver Stone, gravado no exterior, e também ao Instituto Lula, gerenciado por Paulo Okamotto. No áudio, ele compara com o dinheiro dado ao filme "Dark Horse", sobre Jair Bolsonaro, que chama de patrocínio normal: "O filme do Lula eu coloquei acho que até mais. Só que o do Lula foi por fora, foi errado".
No anexo, Vorcaro conta que o então sócio Augusto Lima se reuniu com o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto por meio de caciques do PT da Bahia, e que Jaques Wagner, então líder do governo Lula no Senado, intermediou o primeiro encontro. Ele cita ainda Alexandre Padilha, então ministro das Relações Institucionais, e Olavo Noleto, secretário-executivo da pasta, com quem um operador ligado a eles teria tratado o acesso aos fundos.
Vorcaro levou o anexo à PGR em junho, quando a segunda proposta de delação dele foi descartada. A Procuradoria não levou o caso adiante, com a justificativa de que não havia provas, já que os pagamentos teriam sido feitos em espécie. A primeira tentativa de delação fracassou porque ele omitiu fatos aos investigadores; a segunda também não prosperou, e ele prepara uma terceira proposta.
Lula disse que "jamais solicitou ou recebeu qualquer vantagem financeira nem autorizou terceiros a receber recursos de Vorcaro em seu nome". Olavo Noleto afirmou não ter qualquer relação com Vorcaro nem ter recebido recursos dele, e Alexandre Padilha também negou relação com o banqueiro. Os demais citados não se manifestaram.
Tópicos relacionados
Cobertura da mídia
Prerrogativas aponta falso depoimento de Vorcaro contra Lula e pede investigação da PF
brasil.perfil.com • 9 out, 08:30
Vorcaro diz ter pago R$ 30 milhões ao Instituto Lula por documentário
jornaldebrasilia.com.br • 9 out, 07:00
Vorcaro conta que liberou dinheiro para filme sobre Lula por negócios no governo
veja.abril.com.br • 8 out, 21:00
Comentários
Carregando comentários...
