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PF investiga desvio de emendas de Mario Frias para filme sobre Bolsonaro

A Operação Make Up apura o uso de R$ 2 milhões em emendas parlamentares destinadas a ONGs para financiar a produção do filme 'Dark Horse' e a falta de execução de projetos.

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Foto: G1 Política
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10/09 às 14:15, atualizado 23:45

Pontos principais

  • O ministro Flávio Dino, do STF, autorizou a Operação Make Up, que cumpriu 49 mandados de busca e apreensão.
  • A investigação apura o desvio de R$ 2 milhões em emendas do deputado Mario Frias para o Instituto Conhecer Brasil e a Academia Nacional de Cultura.
  • As entidades, presididas por Karina Ferreira da Gama, teriam triangulado recursos para a produtora Go Up Entertainment.
  • A produtora foi responsável pelo filme 'Dark Horse', cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
  • Relatórios da CGU apontam indícios de contratos simulados, endereços fictícios e vínculos entre empresas e doadores de campanha de Frias.
  • A CGU constatou que projetos como 'Jovem Empreendedor' e 'Lutando pela Vida' não tiveram metas cumpridas ou execução integral comprovada.
  • O deputado Mario Frias foi proibido pelo STF de deixar o país e de manter contato com outros investigados.
  • A Polícia Federal apreendeu sete armas de fogo na residência do parlamentar por irregularidades no registro.
  • Investigadores questionam a origem de R$ 645,4 mil transferidos por Frias da conta pessoal para a produtora do filme.
  • Deputados Bia Kicis e Marcos Pollon também destinaram emendas para entidades ligadas à produtora, sem execução financeira.
  • A investigação rastreia movimentações financeiras atípicas que somam R$ 19 milhões na produtora durante o período de filmagens.
  • Mario Frias nega irregularidades e classifica a operação como uma cortina de fumaça em ano eleitoral.

A Polícia Federal, em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), deflagrou a Operação Make Up para investigar um esquema de desvio de verbas públicas destinadas a projetos culturais. Segundo a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, o foco da apuração recai sobre o repasse de R$ 2 milhões em emendas parlamentares do deputado federal Mario Frias para o Instituto Conhecer Brasil e a Academia Nacional de Cultura. Ambas as entidades são presididas por Karina Ferreira da Gama, que também é proprietária da produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme 'Dark Horse', uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Conforme a Nota Técnica 2180/2026 da CGU, o esquema utilizaria um 'circuito fechado' de empresas para fragmentar repasses e ocultar a origem dos recursos públicos. A investigação aponta que o dinheiro das emendas, originalmente destinado a projetos educacionais e culturais, teria sido desviado por meio de contratos simulados, com datação retroativa e indícios de vínculos societários entre os fornecedores e doadores de campanha do deputado. Relatórios de inteligência financeira identificaram movimentações atípicas de R$ 19 milhões na produtora durante o período de filmagens, levantando suspeitas sobre a legalidade dos pagamentos realizados.

Além das irregularidades contratuais, a CGU constatou que projetos financiados por emendas de Frias, como o 'Jovem Empreendedor' e o 'Lutando pela Vida', não tiveram suas metas cumpridas ou execução integral comprovada. A Polícia Federal também investiga uma transferência de R$ 645,4 mil realizada pelo próprio deputado, de sua conta pessoal para a produtora do filme, questionando a compatibilidade do montante com seus rendimentos declarados. O material apreendido durante a operação, incluindo documentos e registros financeiros, está sendo analisado para confirmar a extensão do prejuízo ao erário.

Como medida cautelar, o ministro Flávio Dino proibiu Mario Frias de deixar o país e de manter contato com os demais investigados no processo. Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, a Polícia Federal também apreendeu sete armas de fogo na residência do parlamentar em Brasília, uma vez que o armamento estava em endereço divergente do registrado nos órgãos de controle. Em nota, o deputado classificou a operação como uma 'cortina de fumaça' e afirmou que pretende colaborar com as investigações para comprovar a regularidade de suas emendas.

O caso ganha contornos mais amplos ao envolver outros parlamentares. A apuração revelou que os deputados Bia Kicis e Marcos Pollon também destinaram emendas para as organizações presididas por Karina Ferreira da Gama. No entanto, segundo dados do Portal da Transparência, não houve a execução financeira ou a transferência efetiva desses valores específicos. A investigação segue sob sigilo para rastrear o destino final de todos os recursos públicos envolvidos na rede de empresas ligadas à produtora do longa-metragem.

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