STF proíbe Mario Frias de sair do país em operação sobre desvios de emendas
O ministro Flávio Dino determinou medidas cautelares contra o deputado Mario Frias e outros investigados por suposto uso de emendas no filme 'Dark Horse'.
Pontos principais
- O ministro Flávio Dino, do STF, proibiu o deputado Mario Frias de deixar o Brasil e de contatar outros investigados.
- A Operação Make Up apura o desvio de emendas parlamentares para financiar o filme 'Dark Horse', sobre Jair Bolsonaro.
- Investigações da PF e CGU apontam a criação de um 'circuito fechado' de empresas para ocultar a origem de verbas públicas.
- O esquema teria desviado R$ 1 milhão do projeto 'Jovem Empreendedor 4.0' para a produtora do longa-metragem.
- Além de Frias, os deputados Marcos Pollon e Bia Kicis tiveram emendas destinadas a entidades ligadas à produtora Karina Gama.
- A produtora Go Up Entertainment movimentou R$ 19 milhões entre novembro e dezembro de 2025, segundo relatórios do Coaf.
- Ao todo, 49 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em diversos estados contra os envolvidos.
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a proibição de saída do país para o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e outros 27 investigados no âmbito da Operação Make Up. A ação, deflagrada pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU), apura um esquema de desvio de emendas parlamentares que teriam sido redirecionadas para financiar a produção do filme 'Dark Horse', uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Além das restrições de deslocamento, os alvos estão proibidos de manter contato entre si enquanto as investigações avançam.
Segundo os investigadores, o esquema operava por meio de um "circuito fechado" de empresas e entidades, como o Instituto Conhecer Brasil, que fragmentavam valores para ocultar a origem dos recursos públicos. A PF aponta que verbas destinadas originalmente a projetos educacionais, como o 'Jovem Empreendedor 4.0', foram desviadas para custear a produtora de Karina Gama, responsável pelo longa. Documentos do Coaf indicam movimentações financeiras atípicas de R$ 19 milhões na produtora Go Up Entertainment no final de 2025, reforçando as suspeitas de fraude na execução dos convênios.
O caso também envolve outros parlamentares, como os deputados Marcos Pollon e Bia Kicis, que destinaram emendas para organizações ligadas à mesma produtora, embora os pagamentos não tenham sido concretizados em seus casos específicos. A investigação busca agora mapear a extensão da rede de influência e os vínculos entre as empresas contratadas e doadores de campanhas políticas. Paralelamente, o STF conduz uma apuração sob relatoria do ministro André Mendonça sobre um repasse de R$ 61 milhões realizado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro para o mesmo projeto cinematográfico.
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