Economistas alertam que alívio na inflação brasileira é temporário
Especialistas apontam riscos fiscais e climáticos que podem pressionar a inflação e limitar a redução da taxa Selic no curto prazo.
Pontos principais
- A deflação de 0,40% no IPCA-15 foi impulsionada por fatores sazonais e bônus tarifário de energia.
- O fenômeno El Niño ameaça a produção agrícola e os preços dos alimentos nos próximos meses.
- A falta de uma âncora fiscal crível e o endividamento público dificultam a política monetária.
- Tensões geopolíticas e a volatilidade do preço do petróleo pressionam o câmbio e os custos internos.
Embora o IPCA-15 tenha registrado deflação de 0,40%, economistas avaliam que o resultado é pontual e não reflete uma tendência de queda sustentada. O alívio recente foi fortemente influenciado por fatores sazonais e pelo bônus de energia de Itaipu, mascarando pressões estruturais que ainda preocupam o mercado. Entre os principais riscos, destacam-se a instabilidade global, que afeta o preço do petróleo e o câmbio, e o impacto do fenômeno El Niño na produção agrícola, que pode elevar o custo dos alimentos no curto prazo. Além das variáveis externas, a ausência de uma âncora fiscal sólida e o crescimento das despesas obrigatórias permanecem como os maiores entraves para a convergência da inflação à meta. Especialistas alertam que, sem ajustes na política fiscal, o país corre o risco de enfrentar um cenário de estagflação, o que limitaria significativamente o espaço para cortes adicionais na taxa Selic.
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