Impulso fiscal de R$ 50 bi pressiona inflação e limita política monetária
Economista da FGV alerta que estímulo fiscal de R$ 50 bilhões no segundo trimestre eleva pressão inflacionária e reduz eficácia dos juros.
Pontos principais
- O estímulo fiscal no Brasil atingiu R$ 50 bilhões no segundo trimestre, montante equivalente a 4,52% do PIB.
- Especialistas apontam que a deterioração das contas públicas torna a política monetária do Banco Central menos eficiente.
- A combinação de economia aquecida e gastos governamentais tem pressionado as expectativas de inflação para o ano.
- O país registra hiato positivo de crescimento por três anos consecutivos, impulsionado por crédito e gastos públicos.
O economista Ricardo Hamud, da FGV, alertou que o impulso fiscal de R$ 50 bilhões registrado no segundo trimestre impõe desafios adicionais ao controle da inflação no Brasil. Segundo a análise, o aumento expressivo nos gastos públicos, que alcançou 4,52% do PIB, sobrecarrega a política monetária, forçando o Banco Central a manter os juros em patamares elevados para conter a demanda agregada. A injeção de recursos, somada a subsídios governamentais e programas de renegociação de dívidas, tem deteriorado as expectativas inflacionárias e limitado a eficácia dos instrumentos de controle de preços. O cenário é agravado por um hiato positivo de crescimento mantido por três anos, o que, aliado à fragilidade fiscal, coloca o Banco Central sob pressão constante para equilibrar a atividade econômica e a estabilidade de preços.
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