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Payroll dos EUA supera expectativas com 162 mil vagas em agosto

A economia americana criou 162 mil postos de trabalho em agosto, superando projeções e elevando apostas de alta nos juros pelo Federal Reserve.

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Foto: InfoMoney
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04/09 às 05:45, atualizado 16:03

Pontos principais

  • O relatório de emprego (payroll) de agosto registrou a criação de 162 mil vagas não-agrícolas, segundo o Bureau of Labor Statistics.
  • A taxa de desemprego nos Estados Unidos permaneceu estável em 4,1% no mês de agosto.
  • Os ganhos foram impulsionados pelos setores de serviços de alimentação e bebidas (+59 mil) e educação do governo local (+42 mil).
  • O rendimento médio por hora subiu 0,3%, atingindo US$ 37,75, uma alta de 3,1% em 12 meses.
  • Dados de junho e julho foram revisados para cima, adicionando 55 mil postos ao total anteriormente reportado.
  • O mercado elevou para cerca de 58% a probabilidade de um aumento de 0,25 ponto percentual nos juros pelo Fed em setembro.
  • O Ibovespa reagiu com volatilidade, recuando inicialmente para 183,2 mil pontos antes de ensaiar uma recuperação.

O mercado financeiro global reagiu com cautela à divulgação do relatório de emprego dos Estados Unidos nesta sexta-feira. Segundo o Bureau of Labor Statistics, a economia americana gerou 162 mil vagas não-agrícolas em agosto, um resultado que superou significativamente as estimativas de analistas, que projetavam números entre 50 mil e 56 mil postos. Além da criação de vagas, o documento apontou que os dados de junho e julho foram revisados para cima, consolidando um cenário de maior resiliência no mercado de trabalho do que o antecipado anteriormente.

A reação imediata dos investidores foi de ajuste nas expectativas sobre a política monetária do Federal Reserve. Com o aquecimento do setor de serviços e a manutenção da taxa de desemprego em 4,1%, a probabilidade de um aumento de 0,25 ponto percentual na taxa de juros na reunião de setembro subiu para 58%. O presidente Donald Trump manifestou preocupação com o impacto de juros elevados, argumentando que o fortalecimento do dólar prejudica a competitividade da indústria americana, enquanto economistas alertam que o dado forte coloca em xeque a trajetória de cortes de juros esperada pelo mercado.

No Brasil, o Ibovespa sentiu o impacto da incerteza externa. Após operar em alta durante a manhã, o índice recuou para a casa dos 183 mil pontos logo após a divulgação do payroll, pressionado pela valorização do dólar e pela perspectiva de um diferencial de juros menos favorável a ativos de risco. Embora o índice tenha buscado uma recuperação parcial ao longo do dia, o cenário permanece volátil. Analistas destacam que a resiliência da economia americana limita o espaço para flexibilizações na política monetária brasileira, mantendo a atenção voltada para os próximos passos do Fed e para a estabilidade fiscal doméstica.

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