Banco Central decreta liquidação extrajudicial da Trustee e da Banvox
O Banco Central encerrou as atividades das distribuidoras Trustee e Banvox por graves violações normativas, em meio a investigações sobre o Banco Master.
Pontos principais
- O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial das distribuidoras Trustee e Banvox, sediadas em São Paulo.
- A medida foi motivada pela constatação de graves violações às normas legais que regem o setor financeiro.
- Com a decisão, os bens dos controladores e ex-administradores das duas instituições foram tornados indisponíveis.
- As empresas são controladas por Maurício Quadrado, ex-sócio e ex-diretor do Banco Master.
- As distribuidoras administravam cerca de R$ 30,5 bilhões em ativos, sem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
- A liquidação paralisa temporariamente resgates e movimentações nos fundos sob gestão dessas instituições.
- O Banco Central nomeou Marilena Simões Valentim como liquidante para gerir o processo de encerramento.
- Investidores podem solicitar a portabilidade da custódia de seus ativos através de formulários específicos na B3.
- As instituições estão sob investigação em operações como a Carbono Oculto e a Compliance Zero.
- O ano de 2026 registra um recorde de 17 liquidações pelo BC, sendo 11 delas ligadas ao ecossistema do Banco Master.
O Banco Central do Brasil oficializou, nesta quinta-feira (3), a liquidação extrajudicial das distribuidoras de títulos e valores mobiliários Trustee e Banvox. A decisão, assinada pelo diretor de Fiscalização, Ailton de Aquino, aponta a ocorrência de graves violações às normas que disciplinam o funcionamento dessas instituições no mercado de capitais. Como consequência imediata da medida, o Banco Central determinou a indisponibilidade dos bens dos controladores e ex-administradores das empresas, visando resguardar o processo de apuração de responsabilidades.
As duas distribuidoras, ambas sediadas em São Paulo, possuem vínculos diretos com Maurício Quadrado, ex-sócio e ex-diretor de investimentos do Banco Master. O caso insere-se em um cenário de maior rigor fiscal sob a gestão de Gabriel Galípolo no Banco Central. Em 2026, o regulador atingiu a marca de 17 liquidações extrajudiciais, o maior número anual desde 2002, sendo que a maioria das intervenções está conectada a investigações envolvendo o Banco Master e estruturas societárias associadas a Daniel Vorcaro.
Para os investidores, a liquidação gera um período de paralisação operacional. As distribuidoras administravam cerca de R$ 30,5 bilhões em ativos, que não contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Segundo o Banco Central, o patrimônio dos fundos está preservado, uma vez que os ativos custodiados são segregados do patrimônio das DTVMs. No entanto, resgates, amortizações e transferências de cotas estão suspensos até que o liquidante convoque assembleias para a escolha de novos administradores ou que os cotistas realizem a portabilidade da custódia via B3.
As empresas liquidadas também são alvos de investigações da Polícia Federal, incluindo a Operação Carbono Oculto e a Operação Compliance Zero. As apurações buscam esclarecer supostas irregularidades financeiras, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio. Embora o Banco Central tenha classificado a representatividade das duas instituições como inexpressiva no Sistema Financeiro Nacional — representando menos de 0,001% do ativo total ajustado —, a medida reforça o esforço do regulador em sanear o mercado de capitais diante de denúncias de fraudes estruturadas que teriam envolvido até mesmo movimentações de recursos de facções criminosas.
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