Recuperações extrajudiciais quase dobram no Brasil em dois anos
O número de pedidos de reestruturação de dívidas cresceu 90,7% desde 2023, pressionado por juros elevados e casos de grandes companhias.
Pontos principais
- Pedidos de recuperação extrajudicial subiram de 43 em 2023 para 82 em 2025.
- O Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial registrou 44 novos casos até agosto de 2026.
- A Raízen busca reestruturar R$ 65,1 bilhões em dívidas por meio do instrumento.
- A Braskem solicitou renegociação de US$ 10,9 bilhões, apesar de Ebitda positivo no segundo trimestre de 2026.
- Taxas de juros para crédito empresarial atingiram média de 24,4% ao ano em junho.
O cenário corporativo brasileiro enfrenta um aumento expressivo na busca por recuperações extrajudiciais, com o número de pedidos saltando de 43 em 2023 para 82 em 2025, uma alta de 90,7%. A tendência de alta persiste em 2026, com 44 novos casos catalogados até agosto. O movimento é impulsionado pelo custo elevado do crédito, que registrou taxas médias de 24,4% ao ano em junho, forçando empresas alavancadas a renegociarem passivos antigos para manter a sustentabilidade operacional. Entre os casos de maior impacto, a Raízen busca a reestruturação de R$ 65,1 bilhões, enquanto a Braskem tenta renegociar US$ 10,9 bilhões, mesmo apresentando Ebitda de US$ 1,04 bilhão no segundo trimestre de 2026. A recorrência ao instrumento reflete a dificuldade de companhias de grande porte em lidar com o atual ambiente de juros altos, tornando a reestruturação uma alternativa estratégica para evitar processos judiciais mais complexos.
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