Braskem protocola recuperação extrajudicial para dívida de R$ 56 bi
A Braskem protocolou pedido de recuperação extrajudicial na Justiça de São Paulo para reestruturar R$ 56 bilhões em dívidas, visando contornar a crise financeira agravada pelo desastre em Maceió e a retração do setor petroquímico.
Pontos principais
- O pedido de recuperação extrajudicial visa renegociar um passivo de aproximadamente R$ 56 bilhões.
- A medida garante à companhia um prazo de 90 dias de proteção contra cobranças e execuções judiciais.
- O processo foi protocolado na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca da Capital de São Paulo.
- As ações da Braskem atingiram sua mínima histórica na Bolsa após o anúncio do protocolo.
- A B3 confirmou a exclusão dos papéis da companhia de seus índices de mercado.
- A adesão de pelo menos um terço dos credores foi necessária para viabilizar o protocolo inicial.
- O plano de reestruturação pode incluir a possibilidade de uma oferta de ações da companhia.
- A empresa lida com os impactos financeiros do desastre geológico causado pela mineração de sal-gema em Maceió.
- O controle da companhia é compartilhado atualmente entre a Petrobras e um fundo ligado à gestora IG4 Capital.
- A reestruturação tem escopo estritamente financeiro, sem afetar obrigações com fornecedores e clientes.
- O modelo extrajudicial permite negociações diretas e mais ágeis entre empresa e credores antes da homologação final.
- A companhia também enfrenta a reestruturação de sua subsidiária mexicana, Braskem Idesa.
A Braskem, uma das maiores petroquímicas das Américas, protocolou nesta segunda-feira (24) um pedido de recuperação extrajudicial na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. A medida visa a renegociação de um passivo financeiro de aproximadamente R$ 56 bilhões, montante que pressiona o balanço da companhia diante de um cenário macroeconômico desafiador. Com o protocolo, a empresa obteve um prazo de 90 dias de proteção contra execuções de dívidas, período que será utilizado para finalizar as negociações com seus credores e estruturar um plano definitivo de reestruturação. Em reação ao anúncio, as ações da companhia registraram queda acentuada, atingindo sua mínima histórica no pregão, o que levou a B3 a anunciar a exclusão dos papéis de seus índices.
O processo de reestruturação conta com o apoio inicial de um terço dos credores, quórum necessário para o ajuizamento do pedido. Entre as instituições financeiras envolvidas nas tratativas estão o Banco do Brasil, BNDES, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander, além de detentores de títulos de dívida no exterior. Segundo comunicados ao mercado, o plano pode contemplar diversas alternativas, incluindo a conversão de dívida em ações e uma possível oferta de papéis da companhia. Contudo, as negociações enfrentam desafios, com parte dos detentores de títulos em dólar demonstrando resistência às condições de alongamento do prazo de pagamento propostas pela empresa, sendo necessária a adesão de 50% mais um dos credores para a homologação judicial.
Especialistas apontam que a escolha pela recuperação extrajudicial, em vez da judicial tradicional, reflete uma tentativa de buscar maior agilidade e flexibilidade. Enquanto a recuperação judicial é um processo mais moroso e conduzido sob intensa supervisão do Judiciário, o modelo extrajudicial prioriza o consenso direto entre a empresa e seus credores, reduzindo a incerteza operacional. A legislação brasileira estabelece critérios rígidos para esses processos, sendo vedado o uso de recuperação judicial para entidades como instituições financeiras e empresas públicas, o que reforça a importância da estratégia adotada pela Braskem para preservar sua continuidade operacional.
A crise financeira da Braskem é multifatorial. A empresa enfrenta um ciclo de baixa no setor petroquímico global, caracterizado pela queda nos preços dos produtos e pela retração da demanda internacional. Paralelamente, a companhia ainda arca com os custos bilionários decorrentes do desastre geológico em Maceió, que forçou a desocupação de mais de 14 mil imóveis, além de lidar com a reestruturação de sua subsidiária mexicana, Braskem Idesa. A situação da petroquímica é acompanhada de perto pelo mercado, dado o seu papel estratégico na indústria brasileira e sua estrutura de controle compartilhada entre a Petrobras e o fundo Shine I, assessorado pela IG4 Capital.
Para mitigar os riscos operacionais, a empresa reforçou que o processo de recuperação extrajudicial possui escopo estritamente financeiro. Isso significa que as obrigações operacionais, como pagamentos a fornecedores, prestadores de serviços e clientes, não devem ser afetadas, visando manter a continuidade das atividades produtivas. O caso da Braskem sinaliza uma estratégia ampla de desalavancagem e ajuste de capital para garantir a sustentabilidade do negócio a longo prazo, em um movimento que reflete as dificuldades enfrentadas pelo setor petroquímico em escala global.
Tópicos relacionados
Cobertura da mídia
Braskem protocola pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar dívida de R$ 56 bilhões
G1 - Economia • 24 ago, 17:17
Recuperação judicial x extrajudicial: entenda a diferença e quem pode pedir
InfoMoney • 24 ago, 16:13
Braskem cai à mínima histórica na Bolsa com pedido de recuperação judicial
UOL - Economia • 24 ago, 12:41
Comentários
Carregando comentários...
