Braskem entra com pedido de recuperação extrajudicial para renegociar R$ 54 bi
A petroquímica protocolou o pedido na Justiça de São Paulo, garantindo 90 dias de proteção contra execuções de dívidas enquanto negocia um plano definitivo.
Pontos principais
- O pedido de recuperação extrajudicial foi protocolado na madrugada desta segunda-feira (24) na Justiça de São Paulo.
- A medida visa a reestruturação de uma dívida estimada em R$ 54 bilhões, equivalente a mais de US$ 10 bilhões.
- A empresa obteve um prazo de 90 dias de proteção contra cobranças e execuções de credores para finalizar o plano.
- O processo substitui uma tutela cautelar anterior que expirava nesta data.
- Entre os credores envolvidos estão instituições como Banco do Brasil, BNDES, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander, além de bondholders.
- A adesão de pelo menos 33% dos credores foi necessária para o protocolo inicial, sendo exigido 50% mais um para a aprovação do plano final.
- A companhia enfrenta dificuldades financeiras agravadas por preços baixos no setor petroquímico e pelo desastre ambiental em minas de sal.
- A subsidiária Braskem Idesa, no México, solicitou recentemente recuperação judicial (Chapter 11) nos Estados Unidos.
- A Braskem é controlada por uma estrutura que envolve a Petrobras e o grupo IG4 Capital.
A petroquímica Braskem protocolou, nesta segunda-feira (24), um pedido de recuperação extrajudicial na Justiça de São Paulo. A iniciativa busca reestruturar uma dívida de aproximadamente R$ 54 bilhões, montante que pressiona o caixa da companhia diante de um cenário de preços desfavoráveis no mercado petroquímico global e dos impactos financeiros decorrentes do desastre ambiental envolvendo suas minas de sal no Nordeste brasileiro. Com o protocolo, a empresa garante um fôlego de 90 dias de proteção contra execuções de dívidas, período no qual deverá negociar os termos definitivos do plano de reestruturação com seus credores.
O processo de renegociação envolve um grupo diversificado de credores, incluindo grandes bancos nacionais como Banco do Brasil, BNDES, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander, além de detentores de títulos no exterior (bondholders). Para viabilizar o pedido, a Braskem obteve o apoio necessário de pelo menos um terço de seus credores, conforme exigido pela legislação para a abertura do procedimento. A aprovação final do plano de reestruturação, no entanto, dependerá da adesão de 50% mais um dos credores, em um processo que ainda enfrenta divergências sobre a necessidade de injeção de capital, conversão de dívida em ações e novas garantias.
Este movimento ocorre em um momento de reestruturação mais ampla para o grupo. Recentemente, a subsidiária Braskem Idesa, no México, também buscou proteção judicial por meio de um pedido de Chapter 11 nos Estados Unidos, com um plano de reestruturação já acordado. A gestão da Braskem, atualmente sob controle compartilhado entre a Petrobras e o grupo IG4 Capital, busca agora estender prazos de pagamento e estabelecer períodos de carência para viabilizar um turnaround operacional e garantir a sustentabilidade financeira da companhia a longo prazo.
Tópicos relacionados
Comentários
Carregando comentários...
