Visão geral
A Braskem S.A. é uma empresa petroquímica brasileira de atuação global, destacando-se como a maior produtora de resinas termoplásticas das Américas e líder mundial na produção de biopolímeros. Fundada em 2002, a empresa opera na indústria química e de plásticos, fornecendo produtos essenciais para diversos setores como saúde, transporte, alimentos e bens de consumo. Com uma capacidade de produção de mais de 12 milhões de toneladas de químicos e 9,3 milhões de toneladas de resinas termoplásticas, a Braskem possui unidades industriais e escritórios em diversos países, atendendo clientes em mais de 70 nações. Suas ações são negociadas na B3 (Brasil), na Bolsa de Valores de Nova Iorque (NYSE) e no Latibex (Bolsa de Madri).
Contexto histórico e desenvolvimento
A trajetória da Braskem remonta a 1979, quando a Odebrecht (atual Novonor), então focada em construção civil, iniciou sua incursão no setor petroquímico ao adquirir parte da Companhia Petroquímica de Camaçari (CPC). A expansão continuou com a criação da Odebrecht Química em 1987 para gerenciar seus investimentos no setor. Nos anos 90, a empresa se beneficiou do processo de privatização do setor petroquímico brasileiro, assumindo o controle de diversas companhias e realizando a primeira integração vertical do setor no Brasil. Em 2001, a Odebrecht, em parceria com o Grupo Mariani, adquiriu o controle da Copene e da Polialden, consolidando ativos de primeira e segunda geração.
A Braskem foi oficialmente criada em 16 de agosto de 2002, a partir da integração de seis empresas: Copene, OPP, Trikem, Proppet, Nitrocarbono e Polialden. Desde então, a empresa tem se expandido globalmente, adquirindo unidades industriais nos Estados Unidos e Alemanha, e formando joint ventures como a Braskem-Idesa no México. A empresa é reconhecida por sua inovação, incluindo o lançamento do polietileno verde, um biopolímero produzido a partir do etanol da cana-de-açúcar. No entanto, a Braskem também enfrentou controvérsias, como o acordo de leniência relacionado à Operação Lava Jato em 2016 e, mais notavelmente, o afundamento do solo em Maceió, Alagoas, causado pela exploração de sal-gema, que levou à desocupação de bairros e a um acordo para indenização e remediação.
Linha do tempo
- 1979 - Odebrecht inicia atuação no setor petroquímico com a aquisição de 33% da Companhia Petroquímica de Camaçari (CPC).
- 1987 - Criação da Odebrecht Química para gerenciar investimentos no setor.
- 1992 - Odebrecht assume o controle da PPH e se torna controladora da Copesul, durante o processo de privatização do setor petroquímico.
- 1995 - Criação da OPP Petroquímica e aquisição do controle da Salgema, CPC e CQR, completando a primeira integração vertical do setor no Brasil.
- 2001 - Odebrecht adquire o controle da Copene e Polialden em parceria com o Grupo Mariani.
- 2002 - Fundação da Braskem a partir da integração de Copene, OPP, Trikem, Proppet, Nitrocarbono e Polialden. Suas ações são listadas na B3 e NYSE.
- 2003 - Braskem tem ações listadas na Bolsa de Madri (Latibex).
- 2006 - Aquisição da Politeno, consolidando a fase de consolidação petroquímica.
- 2007 - Lançamento do polietileno verde e aquisição dos ativos químicos e petroquímicos do Grupo Ipiranga.
- 2009 - Formalização da joint venture Braskem-Idesa para projeto de polietileno no México.
- 2010 - Aquisição da Quattor e de ativos de polipropileno da Sunoco Chemicals nos EUA, marcando o início da internacionalização.
- 2011 - Aquisição de ativos de polipropileno da Dow Chemical nos EUA e Alemanha.
- 2016 - Celebração de Acordo de Leniência com autoridades do Brasil, EUA e Suíça, relacionado à Operação Lava Jato.
- 2018 - Tremor de terra em Maceió revela problemas decorrentes da exploração de sal-gema pela Braskem.
- 2019 - Braskem anuncia o encerramento da exploração de sal-gema em Maceió e inicia a desocupação de áreas de risco.
- 2023 - Repercussão nacional do afundamento do solo de Maceió, com a B3 retirando a Braskem do índice de sustentabilidade.
Principais atores
- Novonor (antiga Odebrecht): Acionista majoritária da Braskem, detendo 38,32% das ações.
- Petrobras: Detém 36,15% das ações da Braskem.
- Roberto Lopes Pontes Simões: CEO da Braskem.
- José Mauro Mettrau Carneiro da Cunha: Presidente do Conselho de Administração da Braskem.
- Governo de Alagoas e Prefeitura de Maceió: Partes envolvidas nas negociações e ações relacionadas ao afundamento do solo em Maceió.
- Autoridades brasileiras, americanas e suíças: Envolvidas no acordo de leniência da Braskem.
Termos importantes
- Petroquímica: Indústria que transforma petróleo e gás natural em produtos químicos básicos e intermediários, que são a base para a produção de plásticos, borrachas sintéticas, fibras e outros materiais.
- Resinas termoplásticas: Polímeros que podem ser amolecidos por aquecimento e solidificados por resfriamento repetidamente, permitindo sua reciclagem e moldagem em diferentes formas. Exemplos incluem polietileno (PE), polipropileno (PP) e policloreto de vinila (PVC).
- Biopolímero: Polímero produzido a partir de fontes renováveis, como plantas (ex: cana-de-açúcar), em contraste com os polímeros tradicionais derivados de combustíveis fósseis.
- Sal-gema: Rocha sedimentar composta principalmente por cloreto de sódio (sal de cozinha), explorada para diversas aplicações industriais. A extração subterrânea de sal-gema pode causar subsidência do solo.
- Acordo de Leniência: Instrumento legal que permite a empresas que colaboram com investigações de atos ilícitos obterem benefícios, como a redução ou isenção de sanções, em troca de informações e provas que auxiliem na apuração dos fatos.
- Subsidência do solo: Afundamento gradual ou repentino da superfície terrestre, que pode ser causado por fatores naturais ou atividades humanas, como a mineração subterrânea.
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