Justiça suspende demissões coletivas do Grupo Casas Bahia
Decisão judicial determina a reintegração de cerca de 3 mil funcionários e proíbe novos cortes sem mediação sindical durante o processo de reestruturação da varejista.
Pontos principais
- A juíza Katarina Roberta Mousinho de Matos, do TRT-10, suspendeu os efeitos das demissões ocorridas entre 13 e 17 de agosto.
- A empresa tem cinco dias para restabelecer os vínculos empregatícios e 48 horas para retomar benefícios como planos de saúde.
- Novas demissões coletivas estão proibidas sem a intermediação obrigatória dos sindicatos da categoria.
- O descumprimento da decisão pode acarretar multas de até R$ 10 mil por trabalhador dispensado irregularmente.
- A decisão judicial exige a preservação de provas digitais da companhia desde janeiro de 2026.
- O Grupo Casas Bahia enfrenta um processo de recuperação judicial para renegociar R$ 17,3 bilhões em dívidas.
- A varejista declarou que está avaliando os termos da liminar para definir os próximos passos jurídicos.
A Justiça do Trabalho determinou a suspensão imediata das demissões coletivas realizadas pelo Grupo Casas Bahia entre os dias 13 e 17 de agosto de 2026. A decisão, proferida pela juíza Katarina Roberta Mousinho de Matos, do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT-10), atende a um pedido da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio (CNTC) e visa garantir que cortes de pessoal sejam precedidos por negociações sindicais, conforme exige a legislação vigente. O grupo, que detém as marcas Casas Bahia e Ponto, tem agora um prazo de cinco dias para restabelecer os vínculos contratuais e 48 horas para reativar os benefícios assistenciais dos cerca de 3 mil funcionários afetados.
O magistrado também impôs uma proibição a novos desligamentos em massa vinculados ao 'Plano de Transformação – Fase 2' da empresa, sob pena de multa de R$ 10 mil por trabalhador. Embora a decisão judicial obrigue a reversão das demissões recentes, ela não determina a reabertura das 298 lojas que foram fechadas pela companhia como parte de sua estratégia de enxugamento operacional. Além disso, a Justiça ordenou que a varejista preserve todos os registros digitais, incluindo e-mails e backups, produzidos desde o início de 2026, visando assegurar a transparência no processo de reestruturação.
O cenário de crise no Grupo Casas Bahia intensificou-se em agosto de 2026, quando a empresa formalizou um pedido de recuperação judicial para renegociar dívidas que somam R$ 17,3 bilhões. O setor varejista tem acompanhado de perto o caso, dado que a companhia já havia encerrado cerca de 355 unidades e eliminado aproximadamente 11,6 mil postos de trabalho desde o início do ano. Em nota, a administração do grupo informou que está analisando os termos da liminar para definir as medidas cabíveis, enquanto o mercado aguarda os desdobramentos sobre a viabilidade financeira da operação diante das novas restrições impostas pelo Judiciário.
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