Mendonça autoriza monitoramento de celular de Jaques Wagner
O ministro do STF permitiu que a PF acesse metadados de localização e registros telefônicos do senador em investigação sobre o Banco Master.
Pontos principais
- A decisão autoriza o monitoramento de metadados e registros de chamadas por dez dias, sem interceptar o conteúdo das conversas.
- A medida integra a Operação Compliance Zero, que apura crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
- A PF aponta 74 chamadas de voz entre o senador e o ex-sócio do Banco Master, Augusto Lima, entre 2023 e 2025.
- Investigadores suspeitam que Wagner tenha recebido vantagens indevidas e atuado no Congresso para favorecer interesses do banco.
- O ministro André Mendonça justificou a decisão pelo risco de vazamento das diligências e pela necessidade de reconstruir deslocamentos.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, autorizou a Polícia Federal a monitorar a localização e os registros de chamadas dos celulares do senador Jaques Wagner e do ex-sócio do Banco Master, Augusto Lima. A decisão, que faz parte da Operação Compliance Zero, permite o acesso a metadados por um período de dez dias, sem autorizar a interceptação do conteúdo das comunicações. O magistrado negou, contudo, o monitoramento para outros quatro alvos da investigação por entender que não possuíam protagonismo suficiente no caso.
A investigação apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa envolvendo o Banco Master. Segundo a Polícia Federal, há indícios de que o senador tenha utilizado aeronaves ligadas ao grupo financeiro sem registro de pagamento, além de ter recebido benefícios como hospedagens de luxo. A PF também investiga se o parlamentar atuou no Congresso para favorecer interesses do banco em discussões sobre o Fundo Garantidor de Crédito. A defesa de Jaques Wagner nega qualquer irregularidade nas condutas citadas.
O ministro Mendonça justificou a medida cautelar citando o risco de vazamento das diligências. O magistrado relatou ter recebido um pedido de audiência do senador no mesmo dia em que a Polícia Federal protocolou novas solicitações de busca e apreensão no tribunal. O sigilo da decisão, datada de 17 de junho, foi levantado pelo ministro nesta quinta-feira (30), permitindo o avanço das apurações sobre o padrão de contatos e deslocamentos dos investigados.
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