PF aponta que negociação de imóvel para Jaques Wagner seguiu após prisão
Relatório da Polícia Federal indica que tratativas para compra de apartamento de luxo para o senador continuaram mesmo após a prisão de Daniel Vorcaro.
Pontos principais
- Investigação aponta que a compra de um imóvel de R$ 2,5 milhões em Salvador prosseguiu após a prisão do dono do Banco Master.
- Documentos revelam o uso de linguagem cifrada e manobras contratuais para ocultar a real destinação do bem.
- A estrutura da transação envolvia fundos ligados ao grupo REAG e empresas como a EPÍTOME S.A.
- Relatório da PF detalha 74 ligações entre o senador e o ex-sócio do Banco Master, Augusto Ferreira Lima.
- Investigadores identificaram um repasse de R$ 3,5 milhões da PKL One Participações para empresa ligada à família de Wagner.
- O ministro do STF André Mendonça levantou o sigilo do inquérito da Operação Compliance Zero.
- A PF aponta semelhanças entre o caso e o esquema de ocultação de propina envolvendo o ex-presidente do BRB.
Relatórios da Polícia Federal, tornados públicos após decisão do ministro do STF André Mendonça, indicam que a negociação de um imóvel de luxo em Salvador, avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões, continuou sendo articulada mesmo após a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, no âmbito da Operação Compliance Zero. Segundo os investigadores, os envolvidos utilizaram linguagem cifrada e estratégias contratuais complexas para tentar ocultar a transação e evitar a detecção pelos órgãos de controle.
O inquérito aponta que a operação envolvia fundos de investimento ligados ao Banco Master e à gestora REAG, seguindo um modus operandi que a PF compara a esquemas de ocultação de propina já identificados em outras investigações, como a que envolveu o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. Além da questão imobiliária, a PF documentou 74 ligações telefônicas entre o senador Jaques Wagner e o ex-sócio do banco, Augusto Ferreira Lima, entre 2023 e 2025, além de registros de encontros sigilosos e o uso de transporte aéreo cedido pelo empresário.
As evidências coletadas pela PF sugerem uma rede de influência que incluiria a articulação de encontros protegidos no gabinete do senador com autoridades, como o advogado-geral da União, Jorge Messias. O senador Jaques Wagner tem negado anteriormente ter atuado em favor dos interesses do Banco Master. A continuidade das negociações após a prisão de figuras centrais do grupo reforça, para os investigadores, a existência de um esquema estruturado para a obtenção de vantagens indevidas.
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