Galípolo critica modelo de cartão de crédito e defende mudanças
Presidente do Banco Central classifica o sistema de crédito brasileiro como uma "jabuticaba" e aponta baixa sensibilidade dos juros à política monetária.
Pontos principais
- Gabriel Galípolo afirmou que o crédito sem garantia no Brasil é pouco sensível às variações da taxa Selic.
- O presidente do BC comparou o modelo nacional de cartão de crédito a uma "jabuticaba" por sua singularidade global.
- Juros do rotativo atingem 15% ao mês, enquanto a Selic está em 14,25% ao ano.
- A estrutura atual é atribuída a atavismos históricos do período de hiperinflação no Brasil.
- O BC defende a transição para arranjos de pagamento mais alinhados aos padrões internacionais.
Durante o evento XP Expert, em São Paulo, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, criticou o atual modelo de cartão de crédito no Brasil. Segundo o executivo, o sistema funciona como uma "jabuticaba" — algo que existe apenas no país — e precisa convergir para padrões globais. Galípolo destacou que o crédito sem garantia, impulsionado pela bancarização via fintechs e pelo Pix, apresenta baixa sensibilidade às decisões de política monetária. Atualmente, cerca de 40 milhões de brasileiros pagam juros elevados no rotativo, que chegam a 15% ao mês, subsidiando usuários que quitam faturas integralmente. O presidente do BC argumentou que essa estrutura, enraizada em atavismos históricos do período de hiperinflação, limita a eficácia da taxa Selic como instrumento de controle sobre o endividamento das famílias.
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