Os juros médios do cartão de crédito rotativo alcançaram 435,9% ao ano em fevereiro, consolidando-se como a linha de crédito mais cara disponível no mercado brasileiro. Esse patamar elevado afeta diretamente mais de 40 milhões de brasileiros que estavam com dívidas no rotativo em janeiro, resultando em uma taxa de inadimplência de 63,5%. A taxa média de juros para pessoas físicas atingiu 62% ao ano no mesmo período, um aumento de 1 ponto percentual no mês, impulsionada pela alta no rotativo. Os juros do cartão parcelado também subiram para 200,2% ao ano em fevereiro.
O endividamento das famílias brasileiras com o sistema financeiro permaneceu estável em 49,7% da renda anual em janeiro, o mesmo nível de dezembro de 2025 e próximo ao pico histórico. O comprometimento mensal da renda das famílias com dívidas aumentou de 29,2% para 29,3% no mesmo período, e a inadimplência das famílias, considerando atrasos acima de 90 dias, subiu para 5,2% em fevereiro. Diante desse cenário, o presidente Lula manifestou preocupação com a situação e solicitou ao Banco Central e ao Ministério da Fazenda estudos para analisar e reduzir os juros do rotativo do cartão de crédito, questionando a justificativa para taxas tão elevadas e sugerindo uma referência, como a do cheque especial.
O alto endividamento reacende o debate sobre a regulação do setor de cartões de crédito. No entanto, analistas de mercado, incluindo os do Morgan Stanley e Bank of America, expressam ceticismo sobre a probabilidade de mudanças significativas. Eles argumentam que as altas taxas do rotativo financiam os parcelamentos sem juros, uma característica comum no mercado brasileiro. Uma regulação forçada ou um teto de taxas poderia prejudicar adquirentes como PagSeguro e Stone, e ter um impacto misto em emissores como Nubank e Itaú. A estrutura do sistema exige que os saldos rotativos subsidiem custos operacionais e inadimplência, já que a maioria dos saldos não gera juros. Impor tetos arbitrários às taxas de juros rotativos pode gerar riscos econômicos e políticos, como a redução ou eliminação de parcelamentos, impactando o consumo. Bancos digitais, mais dependentes de cartões de crédito, poderiam ser mais afetados por mudanças regulatórias, aumentando sua exposição a empréstimos de folha de pagamento.
InfoMoney • 30 mar, 16:13
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Agência Brasil - EBC • 30 mar, 11:27
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