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Juro do rotativo do cartão de crédito atinge 436% ao ano em fevereiro

Os juros médios do cartão de crédito rotativo alcançaram 436% ao ano em fevereiro, impactando milhões de brasileiros e reacendendo o debate sobre regulação do setor.

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Foto: InfoMoney
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30/03 às 09:00 · atualizado 31/03 às 07:18

Pontos principais

  • Os juros médios do cartão de crédito rotativo subiram para 435,9% ao ano em fevereiro, tornando-se a linha de crédito mais cara do mercado.
  • Cerca de 40 milhões de brasileiros estavam com dívidas no rotativo do cartão de crédito em janeiro, com uma taxa de inadimplência de 63,5%.
  • A taxa média de juros para pessoas físicas atingiu 62% ao ano em fevereiro, um aumento de 1 ponto percentual no mês.
  • O endividamento das famílias com o sistema financeiro permaneceu estável em 49,7% da renda anual em janeiro, próximo ao pico histórico.
  • O comprometimento mensal da renda das famílias com dívidas aumentou de 29,2% para 29,3% em janeiro, e a inadimplência subiu para 5,2% em fevereiro.
  • O presidente Lula solicitou ao Banco Central e ao Ministério da Fazenda estudos para analisar e reduzir os juros do rotativo do cartão de crédito.
  • Analistas de mercado expressam ceticismo sobre mudanças significativas na regulação, argumentando que as altas taxas financiam parcelamentos sem juros.
  • Impor tetos arbitrários às taxas de juros rotativos pode gerar riscos econômicos, como a redução ou eliminação de parcelamentos, impactando o consumo.

Os juros médios do cartão de crédito rotativo alcançaram 435,9% ao ano em fevereiro, consolidando-se como a linha de crédito mais cara disponível no mercado brasileiro. Esse patamar elevado afeta diretamente mais de 40 milhões de brasileiros que estavam com dívidas no rotativo em janeiro, resultando em uma taxa de inadimplência de 63,5%. A taxa média de juros para pessoas físicas atingiu 62% ao ano no mesmo período, um aumento de 1 ponto percentual no mês, impulsionada pela alta no rotativo. Os juros do cartão parcelado também subiram para 200,2% ao ano em fevereiro.

O endividamento das famílias brasileiras com o sistema financeiro permaneceu estável em 49,7% da renda anual em janeiro, o mesmo nível de dezembro de 2025 e próximo ao pico histórico. O comprometimento mensal da renda das famílias com dívidas aumentou de 29,2% para 29,3% no mesmo período, e a inadimplência das famílias, considerando atrasos acima de 90 dias, subiu para 5,2% em fevereiro. Diante desse cenário, o presidente Lula manifestou preocupação com a situação e solicitou ao Banco Central e ao Ministério da Fazenda estudos para analisar e reduzir os juros do rotativo do cartão de crédito, questionando a justificativa para taxas tão elevadas e sugerindo uma referência, como a do cheque especial.

O alto endividamento reacende o debate sobre a regulação do setor de cartões de crédito. No entanto, analistas de mercado, incluindo os do Morgan Stanley e Bank of America, expressam ceticismo sobre a probabilidade de mudanças significativas. Eles argumentam que as altas taxas do rotativo financiam os parcelamentos sem juros, uma característica comum no mercado brasileiro. Uma regulação forçada ou um teto de taxas poderia prejudicar adquirentes como PagSeguro e Stone, e ter um impacto misto em emissores como Nubank e Itaú. A estrutura do sistema exige que os saldos rotativos subsidiem custos operacionais e inadimplência, já que a maioria dos saldos não gera juros. Impor tetos arbitrários às taxas de juros rotativos pode gerar riscos econômicos e políticos, como a redução ou eliminação de parcelamentos, impactando o consumo. Bancos digitais, mais dependentes de cartões de crédito, poderiam ser mais afetados por mudanças regulatórias, aumentando sua exposição a empréstimos de folha de pagamento.

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