Daily Journal
Daily Journal

EUA impõem tarifa de 25% sobre produtos brasileiros sob a Seção 301

O governo Trump iniciou a taxação de 25% sobre produtos brasileiros, utilizando a Seção 301 para contornar restrições judiciais anteriores.

Daily Journal
Foto: G1 - Economia
||
22/07 às 14:15 · atualizado 23:01

Pontos principais

  • A tarifa de 25% sobre itens como etanol e máquinas agrícolas entrou em vigor em 22 de julho de 2026.
  • A medida utiliza a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 como base jurídica para sanções comerciais.
  • A estratégia busca contornar decisões da Suprema Corte americana que restringiram o uso da IEEPA para taxações.
  • O governo dos EUA conduz investigações similares contra outros 16 países, incluindo membros da União Europeia e Japão.
  • Cerca de 65% das exportações brasileiras para os EUA permanecem isentas das novas taxas.
  • O governo brasileiro avalia abrir uma disputa na OMC e contesta a fundamentação técnica das tarifas.
  • O presidente Lula criticou a medida, classificando-a como baseada em informações deturpadas.

O governo de Donald Trump implementou, em 22 de julho de 2026, uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, como etanol e máquinas agrícolas. A decisão marca uma mudança na estratégia comercial americana, que passou a utilizar a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 para fundamentar suas ações protecionistas. Essa manobra jurídica foi adotada após a Suprema Corte dos Estados Unidos restringir o uso da IEEPA, que servia de base para tarifas anteriores. A administração americana justifica a medida como parte de uma investigação global sobre práticas comerciais que prejudicariam os interesses dos EUA, afetando também outros 16 parceiros comerciais.

Em resposta, o governo brasileiro estuda levar o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC), argumentando que a nova base legal exige um novo processo de consultas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a imposição, afirmando que o Brasil não aceitará desvantagens baseadas em informações falsas. Embora o impacto seja significativo para setores específicos, especialistas observam que a estratégia de Trump possui limites, dado que aproximadamente 65% das exportações brasileiras para o mercado americano seguem isentas de taxação. O cenário reflete uma tensão diplomática crescente, com o Brasil buscando manter sua soberania comercial frente à agenda protecionista de Washington.

Fonte primária

Office of the United States Trade Representative (USTR) / Federal Register

Notice of Action: Brazil's Acts, Policies, and Practices Related to Digital Trade and Electronic Payment Services; Unfair, Preferential Tariffs; Anti-Corruption Enforcement; Intellectual Property Protection; Ethanol Market Access; and Illegal Deforestation

Publicado no Federal Register em 20/07/2026, o aviso do USTR determina, com base nas Seções 301(b) e 304(a) do Trade Act de 1974, que práticas do governo brasileiro investigadas desde 15/07/2025 (Federal Register de 18/07/2025) são acionáveis e que ação dos EUA é apropriada — determinação preliminar já publicada em 04/06/2026. Em memorando de 15/07/2026, o presidente Trump determinou que o Representante Comercial imponha tarifa de 25% sobre todos os bens do Brasil, com isenções para produtos listados em anexo segundo quatro critérios: (a) matérias-primas cuja tarifação geraria desabastecimento doméstico, (b) produtos que causariam disrupção econômica generalizada, (c) produtos não produzíveis ou obteníveis em quantidade/preço razoável fora do Brasil, ou (d) artigos cuja tarifação não contribuiria materialmente para eliminar as práticas identificadas. A tarifa adicional entra em vigor às 00h01 (horário do leste dos EUA) de 22/07/2026, incidindo sobre mercadorias entradas para consumo ou retiradas de armazém alfandegado a partir dessa data. As práticas classificadas como acionáveis: comércio digital e serviços de pagamento eletrônico; tarifas preferenciais desleais; enfraquecimento do combate à corrupção; proteção de propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal. O processo incluiu mais de 360 manifestações escritas e audiência pública de dois dias (06-07/07/2026) com 77 testemunhas; consultas com o governo brasileiro não resolveram as preocupações dos EUA, segundo o próprio aviso.

Comentários

Carregando comentários...