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EUA anunciam tarifa de 25% sobre produtos brasileiros

O governo Trump oficializou a cobrança de 25% sobre exportações brasileiras a partir de 22 de julho, citando impasses sobre o sistema Pix, etanol e regulação digital, mantendo isenções para commodities estratégicas.

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Foto: G1 Mundo
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15/07 às 15:15 · atualizado 16/07 às 00:45

Pontos principais

  • A tarifa de 25% foi oficializada com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana, entrando em vigor em 22 de julho de 2026.
  • A medida impacta cerca de US$ 15 bilhões em exportações, afetando setores como máquinas agrícolas, calçados, vestuário e mel.
  • Produtos estratégicos como petróleo, café, carne bovina, aeronaves e celulose foram excluídos da lista de taxação.
  • O governo dos EUA justifica a decisão por divergências sobre o sistema Pix, acesso ao mercado de etanol e regulação de plataformas digitais.
  • Investigações adicionais sobre cadeias produtivas e trabalho forçado podem elevar as tarifas em até 12,5% adicionais a partir de 24 de julho.
  • O governo brasileiro classificou a decisão como política e inegociável, defendendo que o Pix e decisões judiciais são questões soberanas.
  • Representantes do setor produtivo brasileiro tentaram, sem sucesso, reverter a medida durante audiências públicas realizadas em julho.
  • O Ministério da Fazenda projeta impacto macroeconômico limitado, citando a resiliência e a diversificação das exportações brasileiras.
  • A Fiesp criticou a medida, atribuindo a escalada tarifária a ruídos diplomáticos e ao desalinhamento político entre os dois países.
  • O governo brasileiro avalia respostas, incluindo o acionamento da Lei da Reciprocidade Econômica ou a continuidade de negociações diplomáticas.
  • A tarifa poderá ser revista caso o Brasil altere as práticas comerciais questionadas pelo governo americano.
  • O setor exportador aguarda a publicação da lista detalhada no Federal Register para mensurar o impacto real na balança comercial.

O governo dos Estados Unidos, sob a gestão de Donald Trump, oficializou a aplicação de uma tarifa de 25% sobre uma vasta gama de produtos brasileiros. A decisão, confirmada após uma investigação de um ano baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, é o desfecho de impasses sobre o sistema de pagamentos Pix, restrições ao mercado de etanol e a regulação de plataformas digitais. A medida entra em vigor no dia 22 de julho e impacta cerca de US$ 15 bilhões em exportações nacionais. Entre os setores mais afetados estão o de máquinas agrícolas, calçados, vestuário e o mercado de mel. Por outro lado, commodities estratégicas como café, carne bovina, petróleo, aeronaves e celulose foram excluídas da taxação, visando proteger a inflação interna americana.

O governo brasileiro reagiu classificando a decisão como política e inegociável, reafirmando que o funcionamento do Pix e as decisões judiciais do país são questões de soberania nacional. Apesar de tentativas frustradas do setor produtivo em reverter a decisão durante audiências públicas, o Ministério da Fazenda busca transmitir tranquilidade. A Secretaria de Política Econômica projeta que o impacto macroeconômico será contido, dado que a resiliência das empresas brasileiras e a diversificação de mercados têm mitigado efeitos de sanções anteriores. Contudo, o cenário pode se agravar, já que uma investigação paralela sobre trabalho forçado, que abrange 60 países, pode resultar em uma sobretaxa adicional de 12,5% a partir de 24 de julho.

A Fiesp classificou a decisão como um reflexo de ruídos diplomáticos e um desalinhamento político entre Brasília e Washington. Em resposta, o Palácio do Planalto estuda a viabilidade de aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica, enquanto o Ministério das Relações Exteriores mantém canais de negociação abertos. O governo americano sinalizou que a tarifa poderá ser revista caso o Brasil altere as práticas comerciais questionadas. A situação marca um momento de alta tensão nas relações bilaterais, com o setor exportador aguardando a publicação da lista detalhada no Federal Register para mensurar o prejuízo real à balança comercial, que já registrou um déficit de US$ 1,5 bilhão com os EUA no primeiro semestre de 2026.

Fonte primária

Office of the United States Trade Representative (USTR) — Federal Register, Vol. 91, No. 107

Notice of Determination and Request for Comments Concerning Action Pursuant to Section 301: Brazil's Acts, Policies, and Practices Related to Digital Trade and Electronic Payment Services; Unfair, Preferential Tariffs; Anti-Corruption Enforcement; Intellectual Property Protection; Ethanol Market Access; and Illegal Deforestation

No aviso publicado em 4 de junho de 2026 (decisão datada de 1º de junho), o USTR determina que as práticas do Brasil nas seis áreas investigadas — comércio digital/pagamentos eletrônicos (Pix), tarifas preferenciais unilaterais, combate à corrupção, proteção de propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal — são 'unreasonable' ou discriminatórias e violam a Seção 301(b) e 304(a) do Trade Act de 1974, portanto acionáveis. Como ação proposta, o USTR planeja aplicar tarifa de 25% sobre todos os bens brasileiros, com isenções para materiais informativos, doações, bagagem acompanhada, artigos já sujeitos às tarifas da Seção 232, e uma lista de produtos excluídos no anexo do aviso (que cobre mais de mil linhas tarifárias, incluindo cortes bovinos, frutas, castanhas e outros). Entre as evidências citadas: o Pix, sistema de pagamento instantâneo lançado pelo Banco Central em novembro de 2020, é apontado como beneficiado por regras que forçam bancos com +500 mil contas a participar e a oferecê-lo sem tarifa; tribunais brasileiros emitiram ordens secretas de remoção de conteúdo a X, Meta e Google, com multa de US$5 milhões imposta à X em 2024 e suspensão do Rumble desde fevereiro de 2025; o índice de Percepção de Corrupção da Transparência Internacional caiu para 34/100 em 2024 (posição 107 de 180 países); o tempo médio de exame de pedidos de patente no Brasil é de 38,4 meses ante 29,5 nos EUA; e estima-se que 91% do desmatamento na Amazônia em 2023-2024 tenha sido ilegal, com a pecuária respondendo por 78% da conversão de floresta. O aviso fixa cronograma: comentários escritos até 1º de julho de 2026, audiência pública do Comitê da Seção 301 em 6 de julho de 2026 na sede da U.S. International Trade Commission, em Washington. É este processo — iniciado por ordem do presidente em 15 de julho de 2025 — que embasa o anúncio tarifário que o governo brasileiro aguardava para 15 de julho de 2026.

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