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Governo libera R$ 18,5 bi em crédito para setores afetados por tarifas dos EUA

O governo federal lançou o programa Brasil Soberano III, disponibilizando R$ 18,5 bilhões em crédito subsidiado para empresas impactadas pela tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos, enquanto discute novas estratégias de auxílio.

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Foto: Folha de São Paulo - Mercado
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22/07 às 10:15 · atualizado 19:45

Pontos principais

  • O pacote de R$ 18,5 bilhões é composto por R$ 13,5 bilhões do Tesouro Nacional e R$ 5 bilhões aportados pelo BNDES.
  • A medida responde à entrada em vigor de uma tarifa de 25% aplicada pelo governo de Donald Trump sobre produtos brasileiros.
  • Setores como siderurgia, metalurgia, calçados, etanol, madeira e autopeças estão entre os principais atingidos pela taxação.
  • As linhas de crédito possuem juros reduzidos, variando de 3% para minerais críticos a 9,8% para grandes empresas.
  • Para acessar o auxílio, as empresas devem firmar compromissos de manutenção de empregos e postos de trabalho.
  • O governo brasileiro classificou a decisão americana como politicamente motivada, citando falta de reciprocidade nas negociações.
  • Representantes comerciais dos EUA justificam as tarifas alegando desvantagens competitivas causadas por práticas de desmatamento no Brasil.
  • O plano inclui R$ 130 milhões destinados pela Apex-Brasil para auxiliar na diversificação de mercados exportadores para Ásia e Europa.
  • O governo descartou, por ora, medidas de retaliação direta, priorizando a via diplomática para resolver o impasse comercial.
  • Uma nova sobretaxa adicional de 12,5% está sendo monitorada pelo governo brasileiro e pode ser anunciada pelos EUA nos próximos dias.
  • A equipe econômica mantém discussões internas para avaliar novas medidas de suporte caso o impacto sobre a balança comercial se agrave.
  • O anúncio ocorre em um contexto de proximidade com as eleições de outubro, intensificando a necessidade de estabilidade econômica.

O governo federal oficializou nesta quarta-feira o lançamento da terceira etapa do programa Brasil Soberano, destinado a mitigar os impactos econômicos da nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. O pacote disponibiliza R$ 18,5 bilhões em crédito subsidiado, sendo R$ 13,5 bilhões provenientes do Tesouro Nacional e R$ 5 bilhões via BNDES. A medida visa garantir capital de giro, investimentos e inovação para indústrias estratégicas, como a siderúrgica, têxtil, automotiva e o setor sucroalcooleiro, que enfrentam barreiras comerciais imediatas no mercado americano. O presidente Lula afirmou que, embora o diálogo com a Casa Branca tenha carecido de reciprocidade, o Brasil não abandonará as negociações, focando agora na diversificação de mercados para reduzir a dependência das exportações para os EUA.

A imposição tarifária, fundamentada pelo governo Trump em investigações sobre práticas comerciais desleais, desmatamento e regulação de tecnologias como o Pix, atinge cerca de 2,3 mil produtos brasileiros. Estados como São Paulo e Santa Catarina concentram a maior parte das exportações afetadas. Para o governo brasileiro, a decisão possui caráter político e ideológico, o que levou o vice-presidente Geraldo Alckmin a descartar, neste momento, qualquer retaliação comercial, defendendo a manutenção de canais diplomáticos abertos para evitar uma escalada que prejudique ainda mais o setor produtivo nacional. O anúncio do pacote ocorre em um momento de atenção redobrada, dada a proximidade das eleições de outubro, onde a estabilidade econômica se torna um fator central para a gestão atual.

Além do suporte financeiro direto, o governo anunciou um aporte de R$ 130 milhões por meio da Apex-Brasil para apoiar empresas na busca por novos parceiros comerciais, especialmente na Ásia e na Europa. A adesão às novas linhas de crédito está condicionada a contrapartidas sociais, como a manutenção dos níveis de emprego nas empresas beneficiadas. O setor de logística e transporte de cargas, que já relata impactos no fluxo de fretes, manifestou apoio à estratégia de negociação, alertando que medidas de 'olho por olho' poderiam agravar a crise.

Diante da pressão contínua sobre a balança comercial, a equipe econômica segue em reuniões interministeriais para discutir novas estratégias de apoio à indústria nacional. O governo avalia o alcance dos benefícios já concedidos e estuda medidas adicionais caso a situação se deteriore. A cautela é reforçada pelo monitoramento de uma possível sobretaxa adicional de 12,5% que pode ser anunciada pelos EUA nos próximos dias, relacionada a investigações sobre trabalho forçado.

Enquanto aguarda novos desdobramentos, o governo federal reforça que o Brasil Soberano III é uma ferramenta de resiliência, focada em fortalecer a indústria interna e preservar a competitividade das exportações brasileiras diante de um cenário global de protecionismo crescente. O diálogo entre os ministérios permanece aberto para definir o escopo de eventuais novos benefícios, buscando equilibrar o suporte ao setor produtivo com a responsabilidade fiscal diante do cenário externo adverso.

Fontes primárias

Agência Gov (Governo Federal)

Governo apresenta ações para fortalecer setores afetados por tarifas dos Estados Unidos

Em coletiva de 17/07 (com vice-presidente Alckmin, ministro da Fazenda Durigan, presidente do BC Galípolo e MDIC), o governo detalhou o pacote de apoio aos setores atingidos pela tarifa adicional de 25% dos EUA: expansão do Plano Brasil Soberano com linhas de crédito para capital de giro e investimento, além de apoio comercial para escoamento a novos clientes e países via ApexBrasil e BNDES. Setores listados: madeira, máquinas e equipamentos elétricos, móveis, cerâmica, calçados e açúcar — 2,4 mil empresas, 18% das exportações brasileiras aos EUA (US$ 7,4 bi em 2024, ante US$ 5,5 bi no ano anterior). Durigan afirmou que a avaliação da equipe econômica é que a medida "não compromete a estabilidade macroeconômica do país", apesar do impacto setorial. Alckmin disse que o governo vai intensificar "o trabalho de diversificação de destinos das exportações brasileiras". Nenhuma meta específica de preservação de empregos foi divulgada nesta coletiva; a exigência de manutenção de postos como contrapartida do crédito é regra já vigente do Brasil Soberano.

Agência Brasil (EBC) — declarações de Jorge Viana (presidente da ApexBrasil)

Apex prevê plano de R$ 130 milhões para diversificar exportações

A ApexBrasil anunciou plano de R$ 130 milhões para diversificar destinos de exportação brasileira, em resposta à tarifa adicional de 25% dos EUA (vigente desde 22/07, atingindo cerca de US$ 7,2 bi em exportações). A iniciativa cobre 57 setores econômicos e 2,4 mil empresas exportadoras apoiadas pela Apex que vendiam aos EUA; dados da própria Apex mostram que 72% dessas empresas já começaram a vender para pelo menos um novo mercado entre junho/2025 e maio/2026. No 1º semestre de 2026 as exportações brasileiras cresceram US$ 3,1 bi para a Europa, US$ 2,5 bi para a Índia e US$ 10,5 bi para a China. Presidente Jorge Viana: a Apex mapeou estado a estado os mercados mais dependentes dos EUA para buscar alternativas concretas de inserção em novos mercados.

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