PF indicia 48 pessoas por esquema de R$ 6,3 bi no INSS
Investigação aponta desvios em aposentadorias e propinas a ex-dirigentes do INSS para viabilizar fraudes associativas.
Pontos principais
- A Polícia Federal indiciou 48 pessoas, incluindo ex-dirigentes do INSS e o ex-ministro do Trabalho, José Carlos Oliveira.
- O esquema causou prejuízos de R$ 6,3 bilhões através de descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas.
- A Conafer é apontada como o núcleo central da organização criminosa, utilizando códigos como 'pendrive' para pagamentos de propina.
- Relatório da PF cita suposta articulação política para nomeações no INSS visando blindar o esquema, o que é negado pelo senador Rodrigo Pacheco.
- O ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, foi indiciado sob suspeita de receber pagamentos mensais de até R$ 250 mil.
A Polícia Federal concluiu a primeira fase da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema estruturado de desvios em aposentadorias e pensões do INSS. Segundo as autoridades, a organização criminosa operava por meio de descontos associativos indevidos, causando um prejuízo estimado em R$ 6,3 bilhões aos beneficiários. Entre os 48 indiciados estão figuras de alto escalão, como o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e o ex-ministro do Trabalho, José Carlos Oliveira. A investigação aponta que a Conafer, presidida por Carlos Roberto Ferreira Lopes — atualmente foragido —, atuava como o centro da lavagem de dinheiro e corrupção, utilizando escritórios de advocacia e estabelecimentos comerciais para ocultar os valores ilícitos.
O relatório da PF detalha o uso de códigos, como 'pendrive' e 'encomenda', para mascarar o pagamento de propinas mensais destinadas a agentes públicos em troca de omissão na fiscalização. Além das fraudes financeiras, a investigação sugere uma articulação política para a ocupação de cargos estratégicos no INSS, com o objetivo de proteger o esquema de auditorias. O documento menciona uma suposta reunião entre o senador Rodrigo Pacheco e o dirigente da Conafer para tratar de nomeações, fato categoricamente negado pelo parlamentar. O material foi entregue ao ministro do STF André Mendonça e será encaminhado à Procuradoria-Geral da República para análise de uma possível denúncia formal contra os envolvidos.
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