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PF indicia 48 pessoas por esquema de R$ 6,3 bilhões no INSS

Operação Sem Desconto aponta fraudes em benefícios previdenciários e pagamentos de propina a agentes públicos entre 2019 e 2024.

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Foto: Times Brasil
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14/07 às 15:31 · atualizado há 56min

Pontos principais

  • A Polícia Federal concluiu o inquérito da Operação Sem Desconto, indiciando 48 pessoas por organização criminosa e lavagem de dinheiro.
  • O esquema envolvia descontos indevidos em aposentadorias e pensões, gerando um prejuízo estimado em R$ 6,3 bilhões.
  • Entre os indiciados estão o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e o presidente da Conafer, Carlos Roberto Ferreira Lopes.
  • O deputado Euclydes Pettersen e o ex-ministro José Carlos Oliveira também figuram no relatório final da investigação.
  • Relatórios indicam o pagamento de R$ 24,6 milhões em propinas para garantir a blindagem institucional do esquema.
  • Pagamentos ilícitos eram registrados internamente com codinomes como 'Heróis', 'Notáveis' e 'Amigos'.
  • O documento foi enviado ao ministro do STF André Mendonça, que decidirá os próximos passos junto à Procuradoria-Geral da República.

A Polícia Federal encerrou a primeira etapa da Operação Sem Desconto, que investigou um esquema de fraudes estruturado contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) entre 2019 e 2024. O relatório final, entregue ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, aponta o indiciamento de 48 pessoas, incluindo ex-dirigentes do órgão, lideranças da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), parlamentares e ex-ministros. A investigação detalha como o grupo realizava descontos não autorizados diretamente nas aposentadorias e pensões de beneficiários, movimentando cerca de R$ 6,3 bilhões.

O inquérito revelou um sofisticado sistema de corrupção voltado para a manutenção das atividades ilícitas. Segundo a PF, foram identificados pagamentos de R$ 24,6 milhões em propinas destinados a agentes públicos, que garantiam a blindagem institucional do esquema. Para ocultar as transações, os envolvidos utilizavam codinomes como 'Heróis', 'Notáveis' e 'Amigos' em registros internos. O ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, foi identificado nas comunicações sob a alcunha de 'Italiano', enquanto o ex-ministro José Carlos Oliveira é acusado de facilitar repasses indevidos de R$ 15,3 milhões.

O caso agora segue para análise da Procuradoria-Geral da República (PGR), que avaliará o oferecimento de denúncia formal contra os envolvidos. A relevância do caso reside na magnitude do desvio e na violação direta dos direitos de aposentados e pensionistas, que tiveram suas rendas reduzidas sem consentimento. O processo, que corre sob segredo de Justiça, representa um marco no combate a fraudes previdenciárias que utilizam entidades associativas como fachada para a apropriação indevida de recursos públicos e privados.

Fonte primária

Metrópoles (apuração exclusiva)

INSS: PF indicia ex-presidente, "Careca" e mais 46 por corrupção

A PF enviou nesta terça (14/7) ao STF o primeiro relatório final da Operação Sem Desconto, com 265 páginas, ao gabinete do relator ministro André Mendonça, que agora remete o material à PGR. O relatório indicia 48 pessoas por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa em desvios de aposentadorias e pensões: o ex-presidente do INSS Alessandro Antônio Stefanutto, o ex-procurador-geral do órgão Virgílio Antônio Ribeiro Filho, o ex-diretor de benefícios André Paulo Félix Fidelis, o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes ("Careca do INSS", apontado como um dos principais articuladores do esquema) e o presidente da Conafer, Carlos Roberto Ferreira Lopes. Segundo a PF, Stefanutto recebia propina mensal recorrente de cerca de R$ 250 mil para deixar de fiscalizar entidades associativas responsáveis pelos descontos, paga via empresas de fachada, entre elas uma pizzaria; Virgílio Ribeiro teria recebido cerca de R$ 6,5 milhões e André Fidelis cerca de R$ 3,4 milhões. A Conafer é descrita como organização criminosa de estrutura hierárquica, e a PF diz ter encontrado planilhas de propina compatíveis com as transferências bancárias identificadas. O prejuízo total a aposentados e pensionistas com descontos associativos não autorizados entre 2019 e 2024 é estimado em cerca de R$ 6 bilhões, dos quais a Conafer teria recebido cerca de R$ 484 milhões.

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