Daily Journal
Daily Journal

Mercado financeiro monitora tarifas dos EUA e deflação americana

Investidores avaliam impactos de possíveis tarifas sobre produtos brasileiros enquanto a deflação nos EUA traz alívio temporário aos juros globais.

Daily Journal
Foto: InvestNews
||
14/07 às 11:15 · atualizado 20:31

Pontos principais

  • EUA planejam aplicar tarifas de 25% sobre produtos brasileiros até 15 de julho, gerando incerteza no mercado.
  • O CPI dos EUA registrou deflação de 0,4% em junho, a maior retração mensal desde 2020.
  • Apesar da deflação mensal, a inflação acumulada em 12 meses nos EUA permanece em 3,5%, acima da meta de 2%.
  • O fluxo de capital estrangeiro na B3 inverteu para vendas em maio e junho, após um início de ano positivo.
  • Fundos de renda fixa brasileiros sofreram perdas em junho devido à marcação a mercado e abertura da curva de juros.
  • Analistas alertam que o câmbio será o principal canal de transmissão caso as tarifas americanas sejam confirmadas.

O mercado financeiro brasileiro vive um momento de cautela diante de dois vetores opostos vindos dos Estados Unidos. De um lado, a deflação de 0,4% registrada no CPI americano em junho trouxe um alívio imediato, reduzindo as apostas de novas altas de juros pelo Federal Reserve e pressionando para baixo as taxas dos títulos do Tesouro Direto. Por outro lado, a expectativa pela aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, prevista para meados de julho, mantém investidores em alerta sobre os possíveis impactos no câmbio, na inflação e na curva de juros local. Especialistas apontam que, embora o cenário desinflacionário global favoreça mercados emergentes, a incerteza sobre a lista final de produtos taxados e o risco fiscal doméstico limitam o otimismo.

Internamente, o primeiro semestre de 2026 foi marcado por uma redefinição no fluxo de capital. Dados do DataWatch indicam uma migração expressiva para a renda fixa, com captação líquida de R$ 127,2 bilhões, enquanto fundos de ações registraram resgates. A volatilidade na curva de juros de longo prazo afetou negativamente cerca de 170 fundos de renda fixa atrelados a NTN-Bs, que sofreram com a marcação a mercado. O Ibovespa, que acumulou alta de 8,25% no semestre, agora enfrenta o desafio de manter o apetite ao risco em um ambiente de tensões comerciais e incertezas políticas.

O impacto das tarifas, caso concretizadas, deve ser sentido de forma heterogênea. Empresas com operações industriais nos EUA, como JBS e Gerdau, possuem maior resiliência, enquanto exportadores de manufaturados sem produção local estão mais expostos. O câmbio é visto como o principal canal de transmissão desse choque, o que poderia pressionar a inflação brasileira e restringir o espaço para cortes na taxa Selic pelo Copom. O monitoramento do segundo semestre permanece focado na evolução do fluxo de capital externo e nas decisões de política monetária em ambos os países.

Comentários

Carregando comentários...