PF e CGU deflagram operação contra fraudes em aposentadorias do INSS
Operação Sem Desconto investiga descontos indevidos em benefícios, com prejuízo bilionário e apreensão de R$ 287 mil com servidor do INSS.
Pontos principais
- A operação cumpre 31 mandados de busca e apreensão e oito de monitoramento eletrônico em quatro estados.
- Investigações apuram crimes de organização criminosa, estelionato previdenciário e lavagem de dinheiro.
- O esquema teria subtraído cerca de R$ 6,3 bilhões de beneficiários entre 2019 e 2024.
- O grupo conhecido como 'Golden Boys' é apontado como responsável por desvios adicionais de R$ 700 milhões.
- Entidades como UNIBAP, ABENPREV, Amar, Master Prev, AASP e ANDAPP estão sob apuração.
- Em Pernambuco, a PF apreendeu R$ 287 mil em espécie escondidos em sacos de lixo na casa de um servidor do INSS.
- O esquema utilizava táticas como gravações falsas, erros de digitação e movimentações financeiras suspeitas.
- O ministro André Mendonça, relator no STF, solicitou relatório detalhado sobre os investigados após troca de delegados.
- A investigação foi transferida para a Coordenação de Inquéritos em Tribunais Superiores (Cinq) para garantir continuidade.
- Um dos alvos, Américo Monte Júnior, é investigado por receber auxílio emergencial enquanto geria associações sob suspeita.
A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram a Operação Sem Desconto, focada em desarticular um esquema de fraudes e descontos associativos indevidos em aposentadorias e pensões pagas pelo INSS. A ação, que conta com medidas constritivas expedidas pelo Supremo Tribunal Federal, cumpre 31 mandados de busca e apreensão e oito medidas cautelares de monitoramento eletrônico no Distrito Federal, Pernambuco, São Paulo e Paraíba. Em um dos desdobramentos em Pernambuco, agentes da PF localizaram R$ 287 mil em espécie escondidos dentro de sacos de lixo na residência de um servidor público vinculado ao órgão, evidenciando o alcance da investigação. Entre os alvos da operação, destaca-se o grupo conhecido como 'Golden Boys', suspeito de desviar cerca de R$ 700 milhões, sendo que os envolvidos já haviam sido citados anteriormente em uma CPMI do INSS.
O inquérito aponta que o esquema utilizava acordos de cooperação firmados com o INSS entre 2021 e 2023 para realizar deduções ilegais, resultando em um prejuízo total estimado em R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024. Segundo as autoridades, as entidades sob investigação recorriam a práticas sofisticadas, incluindo a produção de gravações falsas, erros propositais de digitação de nomes e movimentações financeiras suspeitas para justificar as cobranças indevidas nos contracheques dos segurados. As associações prometiam serviços inexistentes para legitimar os descontos mensais que afetaram diretamente milhares de aposentados e pensionistas.
Paralelamente, o ministro André Mendonça, relator do caso no STF, solicitou um relatório detalhado sobre todos os investigados após a troca de delegados no inquérito, reforçando a necessidade de imparcialidade nas apurações e em eventuais negociações de delação premiada. Para garantir a continuidade das diligências, a investigação foi transferida para a Coordenação de Inquéritos em Tribunais Superiores (Cinq), visando assegurar que o fluxo de informações e a coleta de provas não sejam interrompidos por interferências externas.
O rol de investigados é amplo e inclui empresários, servidores e ex-servidores do INSS, além de conexões com figuras como Fábio Lula da Silva e a empresária Roberta Luchsinger. A força-tarefa busca coletar provas adicionais para asfixiar financeiramente os grupos envolvidos, enquanto o Judiciário monitora o avanço das apurações. Até o momento, o caso segue como um dos principais focos de combate a irregularidades no sistema previdenciário, com as autoridades empenhadas em desmantelar a estrutura que utilizava indevidamente os dados de segurados para a obtenção de vantagens ilícitas.
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