Brasil contesta tarifas dos EUA antes de decisão final nesta quarta
O governo brasileiro reforçou a oposição a novas sobretaxas americanas, enquanto a indústria aguarda a decisão final prevista para esta quarta-feira.
Pontos principais
- O governo brasileiro realizou a quinta reunião de alto nível com o Representante de Comércio dos EUA para contestar as tarifas.
- As sobretaxas em análise, baseadas na Seção 301, podem atingir 25% e 12,5% sobre diversos produtos nacionais.
- A investigação americana abrange temas como comércio digital, Pix, propriedade intelectual e questões ambientais.
- Estudo da CNI aponta que cerca de 4,2 mil produtos brasileiros, totalizando US$ 15 bilhões, podem ser impactados.
- O governo brasileiro não descarta adotar medidas de resposta, incluindo a possível retomada da Lei de Reciprocidade Econômica.
- Setores da indústria nacional buscam ativamente a negociação de isenções, mas admitem falta de planos de contingência.
- A decisão final da administração Trump sobre a lista de produtos afetados deve ser divulgada nesta quarta-feira, 15 de julho.
Representantes do governo brasileiro encerraram a quinta rodada de negociações de alto nível com o Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) nesta terça-feira, mantendo a postura de contestação contra a possível imposição de novas sobretaxas comerciais. O governo brasileiro classificou as medidas como injustas e sem fundamento técnico, argumentando que a aplicação de tarifas de até 37,5% prejudicaria a construção de um acordo comercial bilateral sólido entre as duas nações. A disputa, fundamentada na Seção 301 da Lei de Comércio americana, envolve questionamentos dos EUA sobre práticas brasileiras em áreas como comércio digital, o sistema de pagamentos instantâneos Pix, propriedade intelectual e normas ambientais. A decisão final da administração do presidente Donald Trump, que definirá a lista de produtos afetados e as alíquotas definitivas, é aguardada para esta quarta-feira, 15 de julho. O impacto potencial é significativo, com estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indicando que cerca de 4,2 mil produtos brasileiros, somando US$ 15 bilhões em exportações, podem sofrer restrições. Diante da incerteza, o setor industrial brasileiro tem buscado ativamente a negociação de isenções, embora muitas empresas relatem a ausência de planos de contingência para mitigar os efeitos de eventuais barreiras comerciais. O cenário força uma reavaliação das estratégias de longo prazo das companhias, que já enfrentam prejuízos operacionais acumulados ao longo do último ano. Em resposta à ameaça, o governo brasileiro monitora a situação e avalia medidas de proteção ao setor produtivo. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, indicou que o Executivo estuda a edição de uma nova Medida Provisória e a possível retomada da Lei de Reciprocidade Econômica como resposta diplomática e comercial, caso as tarifas sejam confirmadas sem as exceções pleiteadas pelo Brasil.
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