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Governo Lula e Flávio Bolsonaro divergem sobre tarifas dos EUA

O governo brasileiro classificou a atuação do senador Flávio Bolsonaro em audiência nos EUA sobre tarifas como 'traição à pátria', enquanto o parlamentar alega defender interesses nacionais.

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Foto: Times Brasil
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07/07 às 13:04 · atualizado 23:02

Pontos principais

  • Flávio Bolsonaro participou de audiência do USTR em Washington para discutir tarifas de 25% impostas pelos EUA a produtos brasileiros.
  • O senador argumentou que as sobretaxas são inoportunas e beneficiariam politicamente o governo Lula antes das eleições de 2026.
  • O parlamentar defendeu a preservação do Pix, classificando-o como uma ferramenta de inclusão financeira e não uma prática comercial desleal.
  • O Palácio do Planalto repudiou a postura do senador, acusando-o de politizar a política externa e agir contra os interesses do país.
  • O governo federal afirmou que mantém negociações técnicas paralelas com o USTR para reverter as sanções desde o início de 2025.
  • Aliados do governo criticaram o senador por suposta omissão de vínculos com o Banco Master e por tentar subordinar temas internos aos EUA.
  • A administração federal sustenta que questões como decisões do STF e o funcionamento do Pix não devem ser objeto de retaliação comercial.

A participação do senador Flávio Bolsonaro em uma audiência pública do USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos) em Washington gerou um intenso embate político com o governo Lula. O parlamentar, que é pré-candidato à Presidência, solicitou o fim das sobretaxas de 25% aplicadas pela gestão de Donald Trump a produtos brasileiros. Em seu depoimento, Bolsonaro argumentou que o momento atual é inadequado para a imposição de barreiras comerciais, sugerindo que a medida, além de prejudicar a economia nacional, acabaria por fortalecer politicamente o atual presidente brasileiro às vésperas do pleito de 2026.

Em resposta, o Palácio do Planalto e aliados do governo classificaram a atuação do senador como uma interferência indevida na política externa do país, chegando a utilizar o termo 'traição à pátria'. O governo argumenta que mantém, desde o início de 2025, um canal de negociação técnica com as autoridades americanas para reverter as tarifas. Segundo o Executivo, a postura de Flávio Bolsonaro teria sido puramente eleitoreira, visando desgastar a imagem da gestão atual em vez de buscar uma solução diplomática efetiva para o impasse comercial.

O centro da disputa também envolve a soberania sobre políticas internas brasileiras. Enquanto os Estados Unidos justificam as tarifas citando preocupações com o sistema Pix, desmatamento e leis anticorrupção, o governo Lula defende que esses temas não possuem natureza comercial e não devem ser negociáveis. O episódio intensificou a polarização política, com a base governista acusando o senador de tentar subordinar interesses nacionais aos americanos, enquanto a equipe de Bolsonaro sustenta que sua intervenção foi necessária para evitar danos maiores à economia brasileira diante da suposta ineficiência da diplomacia oficial.

Fonte primária

Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (nota na íntegra)

Nota à imprensa sobre participação do senador Flávio Bolsonaro em audiência pública sobre a Seção 301

Em nota assinada pela Secom, o governo brasileiro repudia a intervenção do senador Flávio Bolsonaro na audiência pública da Seção 301 promovida pelo USTR em 7 de julho. A nota informa que, das 78 entidades e pessoas inscritas para se manifestar (63 contra o tarifaço, 15 a favor), Flávio foi o único dos 34 brasileiros inscritos que não se posicionou contra as medidas, propondo em vez disso o adiamento, o que o governo classifica como "claro objetivo eleitoreiro". Segundo o texto, o senador não rebateu as alegações do governo americano, não negou que a campanha de sua família e aliados esteve na origem do tarifaço, defendeu a revogação de decretos brasileiros de combate a conteúdo criminoso e à violência contra mulheres no ambiente digital, omitiu a origem do caso Master no governo Jair Bolsonaro e seus próprios vínculos com Daniel Vorcaro (a quem pediu mais de R$ 130 milhões, segundo alega, para produzir um filme sobre o pai), e propõe subordinar o Pix aos interesses americanos. A nota destaca que, enquanto o senador tentava politizar a relação bilateral, técnicos do MDIC, Itamaraty, Ministério da Justiça e Palácio do Planalto reuniam-se com o USTR para reverter o tarifaço, negociado ininterruptamente desde julho de 2025. Conclui: "Divergir do governo é legítimo. Convocar uma potência estrangeira a pressionar o próprio país é traição à Pátria. Há uma diferença essencial entre fazer oposição ao governo e fazer oposição ao país e ao povo brasileiro."

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