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Lula e Flávio Bolsonaro trocam acusações sobre tarifas dos EUA

O presidente Lula classificou como traição o apelo de Flávio Bolsonaro aos EUA para suspender tarifas, enquanto o senador alega que a medida favorece o petista.

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Foto: Agência Brasil - EBC
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02/07 às 11:45 · atualizado 23:01

Pontos principais

  • O senador Flávio Bolsonaro enviou documento ao USTR pedindo a suspensão de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.
  • Flávio argumenta que a imposição de tarifas antes das eleições de 2026 daria uma vantagem política ao governo Lula.
  • O presidente Lula classificou a iniciativa do senador como uma atitude de traidor da pátria e entreguismo.
  • O documento de Flávio sugere que o Brasil se desvincule de obrigações do Mercosul para facilitar acordos bilaterais com Washington.
  • O senador propõe compromissos sobre o sistema Pix para evitar sua integração a sistemas fora do eixo ocidental.
  • O governo brasileiro, via Itamaraty, contesta a investigação americana, alegando que as taxas prejudicariam também empresas dos EUA.
  • O Itamaraty refutou acusações sobre práticas comerciais desleais e defendeu a legitimidade das decisões do STF.
  • Uma audiência pública sobre a sobretaxação está agendada para o dia 6 de julho em Washington.
  • O embate ocorre em meio à corrida eleitoral de 2026 e tensões sobre a soberania econômica nacional.
  • Empresas americanas manifestaram preocupação com as tarifas, citando a falta de substitutos nacionais para produtos brasileiros.

O cenário de tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos escalou para um embate político interno após o senador Flávio Bolsonaro enviar uma manifestação oficial ao Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). No documento, o parlamentar solicita a suspensão de tarifas de 25% sobre exportações brasileiras, argumentando que a aplicação da medida protecionista, sob a gestão de Donald Trump, fortaleceria politicamente o governo de Luiz Inácio Lula da Silva durante o período eleitoral de 2026. O senador também sugeriu a desvinculação do Brasil de normas do Mercosul e propôs compromissos sobre o sistema Pix como forma de alinhar interesses com a administração americana.

Em resposta, o presidente Lula criticou duramente a iniciativa, classificando a postura de Flávio Bolsonaro como uma atitude de traidor da pátria e entreguismo. O chefe do Executivo afirmou que não existem justificativas para a imposição de taxas e defendeu que o Brasil busca dialogar de igual para igual com outros países, sem submeter a soberania nacional a interesses estrangeiros. O governo brasileiro tem mantido uma postura de resistência, argumentando que as sobretaxas, baseadas na Seção 301 da lei comercial americana, prejudicariam não apenas a economia brasileira, mas também empresas dos Estados Unidos que dependem de insumos nacionais.

O Itamaraty reforçou a contestação oficial, refutando alegações de práticas comerciais desleais e defendendo a legitimidade de políticas internas, como o sistema Pix e decisões do STF. Enquanto o governo busca utilizar canais institucionais para reverter a ameaça tarifária, a oposição tenta pautar o debate sobre a política externa como um ativo eleitoral. A situação permanece em aberto, com uma audiência pública marcada para o dia 6 de julho em Washington, onde os impactos da medida serão discutidos por autoridades e representantes do setor privado de ambos os países.

Fonte primária

Senador Flávio Bolsonaro

Request to Appear at the Public Hearing and Summary of Testimony — Docket USTR-2026-0397 (Submission USTR-2026-0397-00129317)

No documento protocolado no USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA), o senador Flávio Bolsonaro, identificado como "Senator and Pre-Candidate for the Presidency of the Republic", pede para depor pessoalmente e em inglês na audiência pública de 6 de julho de 2026 na U.S. International Trade Commission, com os 5 minutos padrão de fala. No resumo do testemunho, ele declara opor-se à tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e a qualquer medida contra o sistema de pagamento instantâneo do Brasil (Pix). Argumenta que a tarifa não cumpriria o próprio padrão de eficácia da Seção 301(b) — "obter a eliminação" das práticas visadas — e produziria o efeito oposto ao pretendido: beneficiaria o governo brasileiro cujas condutas são alvo da investigação, enquanto penalizaria exportadores brasileiros, importadores americanos, consumidores dos EUA e a oposição brasileira, que classifica como "a principal vítima doméstica" das práticas em questão. Diz que não vem pedir alívio, mas propor a restauração de uma parceria histórica entre iguais soberanos. Anuncia que responderá a cada um dos seis pontos da investigação (comércio digital/pagamentos eletrônicos, tarifas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal) e pede a suspensão da ação proposta em troca da abertura imediata de um mecanismo de negociação bilateral, com agenda e calendário definidos, preservando a capacidade de pressão dos EUA. Comentário escrito mais detalhado será apresentado no Docket USTR-2026-0331.

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