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Governo Trump propõe tarifa de 25% sobre produtos brasileiros

EUA propõem sobretaxa de 25% citando práticas comerciais desleais, enquanto o Brasil busca via diplomática e a opinião pública reage negativamente nas redes.

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Foto: InfoMoney
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02/06 às 09:15 · atualizado há 1m

Pontos principais

  • A proposta baseia-se na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, classificando políticas brasileiras como práticas comerciais irracionais.
  • O USTR aponta que decisões do ministro Alexandre de Moraes contra plataformas digitais americanas prejudicam interesses econômicos dos EUA.
  • O governo americano questiona o modelo do Pix, alegando favorecimento ao sistema estatal em detrimento da concorrência.
  • Setores como etanol e produtos ligados ao desmatamento, como soja e milho, estão entre os possíveis alvos da tarifa.
  • Uma lista de exceções inclui carne bovina, café, frutas, minérios, petróleo, aeronaves e fertilizantes para evitar desabastecimento.
  • A Fiesp manifestou preocupação com o relatório e cobra uma atuação firme do governo brasileiro para proteger a competitividade da indústria.
  • O governo brasileiro criou um Comitê Interministerial para avaliar possíveis retaliações sob a Lei da Reciprocidade Econômica de 2025.
  • O USTR agendou audiência pública para 6 de julho, com decisão final sobre a aplicação das medidas prevista para 15 de julho de 2026.
  • O anúncio gerou mais de 8,6 milhões de menções nas redes sociais brasileiras em apenas cinco horas.
  • Levantamento da Ativaweb DataLab indica que 68% das reações monitoradas são negativas, com críticas ao protecionismo americano.
  • A investigação comercial, que já dura quase um ano, reflete a postura protecionista da administração Trump com parceiros comerciais.
  • Parte da opinião pública nas redes sociais associa o atual desgaste diplomático à influência da família do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O governo do presidente Donald Trump concluiu uma investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, propondo tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. O documento do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) fundamenta a medida em uma série de práticas classificadas como irracionais. Entre os pontos de maior atrito, Washington destaca o sistema Pix, alegando que seu modelo favorece o Estado em detrimento da concorrência, além de citar explicitamente decisões judiciais do ministro Alexandre de Moraes contra plataformas digitais americanas, que, segundo o relatório, criam insegurança jurídica e prejudicam interesses econômicos dos EUA. O governo brasileiro, contudo, sustenta que esclarecimentos técnicos sobre o funcionamento do sistema financeiro nacional foram ignorados pelos americanos.

Além das questões regulatórias e judiciais, o governo americano incluiu preocupações com políticas de desmatamento, propriedade intelectual e eficácia no combate à corrupção. A proposta de sobretaxa, que decorre de um processo investigativo iniciado em julho de 2025, mira setores específicos, como o etanol e commodities associadas ao desmatamento, como soja e milho. Em contrapartida, o USTR estabeleceu uma extensa lista de exceções que preserva itens estratégicos para a economia americana, incluindo carne bovina, café, frutas, minérios, petróleo, aeronaves e fertilizantes, visando evitar o desabastecimento e proteger cadeias produtivas essenciais nos Estados Unidos.

No cenário interno, a repercussão digital foi imediata e intensa. O anúncio gerou mais de 8,6 milhões de menções nas redes sociais em apenas cinco horas, com um levantamento da Ativaweb DataLab apontando que 68% das reações expressam sentimento negativo. Enquanto a maioria dos usuários critica a medida e defende a soberania nacional, parte da opinião pública associa o atual desgaste diplomático à influência da família do ex-presidente Jair Bolsonaro. A Fiesp, por sua vez, manifestou apreensão com o impacto na competitividade da indústria, defendendo uma atuação firme do governo brasileiro antes da decisão final.

Em resposta, o Ministério da Fazenda classificou a investigação como politicamente motivada, reforçando que o país mantém canais de diálogo para evitar a implementação das sanções. Paralelamente, foi criado um Comitê Interministerial encarregado de analisar a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica, que permite ao Brasil adotar contramedidas. No mercado financeiro, a reação inicial foi de resiliência, com analistas avaliando que a proposta funciona mais como um instrumento de pressão política do que como uma barreira comercial intransponível, embora o impacto econômico de longo prazo gere preocupações sobre o fluxo comercial entre os dois países.

Para avançar no processo, o USTR agendou uma audiência pública para o dia 6 de julho. O prazo para o envio de comentários por escrito se encerra em 1º de julho de 2026, e a decisão definitiva está marcada para 15 de julho de 2026, servindo como o marco decisivo para que ambos os países alcancem um consenso ou avancem para uma disputa comercial formal.

Fonte primária

Office of the United States Trade Representative (USTR) — Ambassador Jamieson Greer

Notice of Determination and Request for Comments Concerning Action Pursuant to Section 301: Brazil's Acts, Policies, and Practices (Federal Register Notice, 1 jun 2026)

Notice de determinação do USTR (Billing Code 3390-F4) afirmando que, sob as Seções 301(b) e 304(a) do Trade Act of 1974, certas práticas do Brasil em seis áreas — comércio digital e serviços de pagamento eletrônico; tarifas preferenciais injustas; combate à corrupção; proteção de propriedade intelectual; acesso de mercado para etanol; e desmatamento ilegal — são 'unreasonable or discriminatory' e oneram ou restringem o comércio dos EUA, sendo portanto acionáveis. A investigação foi iniciada em 15 jul 2025 por direção do presidente Trump; houve consultas com o governo brasileiro em 15 e 16 abr 2026, audiência pública em 3 set 2025 e mais de 295 comentários. Na Seção IV (Proposed Action), o USTR propõe que 'appropriate action would include applying tariffs of 25% on all goods of Brazil', com isenções para: materiais informativos, doações, bagagem acompanhada, todos os artigos e partes já sujeitos às tarifas da Seção 232, e produtos específicos listados no Anexo (matérias-primas cuja taxação geraria desabastecimento doméstico, produtos que causariam disrupções econômicas amplas, e itens que não podem ser produzidos em quantidade suficiente nos EUA ou obtidos de outras fontes). Entre as condutas detalhadas: ordens judiciais secretas brasileiras mandando X, Meta e Google removerem conteúdo político e suspenderem perfis de residentes dos EUA (Rumble suspenso desde fev 2025; X bloqueado de ago a out 2024 e religado após multa de US$ 5 milhões; cerca de 9.800 itens restritos pela Meta entre jul-dez 2025), e o favorecimento ao Pix pelo Banco Central como operador e regulador. Cronograma: período de comentários abre em 1 jun 2026; pedidos para depor na audiência até 22 jun; comentários escritos até 1 jul; audiência pública em 6 jul 2026 na U.S. International Trade Commission. Dockets: comentários USTR-2026-0331; audiência USTR-2026-0397. Prazo estatutário para a ação responsiva: 15 jul 2026.

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