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Irã e Omã avançam em plano de cobrança de taxas no Estreito de Ormuz

Teerã e Omã articulam a implementação de taxas para navios no Estreito de Ormuz, enfrentando forte oposição do governo Trump e de vizinhos regionais em meio a negociações diplomáticas.

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Foto: NYTimes World
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30/06 às 08:15 · atualizado 14:34

Pontos principais

  • O Irã contesta o acordo de 1968 com Omã, buscando autonomia na gestão e monetização da rota marítima.
  • Omã apresentou proposta formal aos EUA para cobrar taxas de serviço, citando modelos de gestão de outros estreitos internacionais.
  • O presidente Donald Trump e o secretário de Estado Marco Rubio manifestaram oposição a qualquer cobrança na via.
  • Um acordo recente garantiu a passagem gratuita por 60 dias, prazo que está sendo utilizado para negociações sobre o futuro da rota.
  • Teerã ameaça seguir com o plano de cobrança de forma unilateral caso não haja um consenso com Omã.
  • Arábia Saudita e outros países vizinhos defendem o retorno ao status quo, sem taxas adicionais ao comércio de energia.
  • O Irã condiciona avanços diplomáticos à liberação de US$ 6 bilhões em ativos e garantias sobre compromissos de Israel no Líbano.

O governo do Irã reafirmou sua intenção de ampliar a autoridade sobre o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, sinalizando a rejeição aos termos do pacto de 1968. Em paralelo, Omã submeteu uma proposta formal aos Estados Unidos para a implementação de taxas de serviço na passagem, utilizando como justificativa modelos de gestão aplicados em outros estreitos internacionais. A iniciativa, que visa a monetização da rota, enfrenta resistência direta da administração do presidente Donald Trump e do secretário de Estado Marco Rubio, que classificam qualquer cobrança na via como inaceitável. O cenário é agravado pela ameaça iraniana de seguir com a implementação das tarifas de forma unilateral caso um acordo conjunto com Omã não seja concretizado.

Atualmente, a navegação no Estreito de Ormuz é regida por um acordo de paz temporário que garante a passagem gratuita por 60 dias. Este período está sendo utilizado para intensas negociações diplomáticas, embora o impasse persista. Enquanto Teerã mantém uma postura rígida, exigindo a liberação de US$ 6 bilhões em ativos retidos no Catar e garantias sobre as ações de Israel no Líbano, países vizinhos como a Arábia Saudita pressionam pelo retorno ao status quo anterior ao conflito. A preocupação regional é que a imposição de custos adicionais impacte severamente o fluxo global de petróleo e o preço do frete marítimo.

O governo iraniano continua a negar a existência de negociações diretas com os Estados Unidos, apesar da presença de enviados americanos em Doha para consultas com mediadores. Teerã exclui seu programa de mísseis das discussões e condiciona qualquer progresso no tema nuclear a benefícios econômicos claros. A disputa sobre a gestão do estreito permanece como um ponto central de atrito, colocando em xeque a estabilidade de uma das rotas comerciais mais estratégicas do mundo e testando a capacidade de mediação internacional diante das exigências iranianas.

Fontes primárias

PressTV (mídia estatal iraniana)

Management of Strait of Hormuz solely Iran's responsibility: Senior MP — PressTV

O parlamentar Ebrahim Azizi, presidente da Comissão de Segurança Nacional e Política Externa do Parlamento iraniano, declarou em 30 de junho de 2026 que o Estreito de Ormuz é parte 'inseparável' da soberania nacional do Irã e que sua gestão é 'exclusivamente responsabilidade' da República Islâmica. Azizi classificou como 'interferência aberta' a declaração apoiada pelos EUA e pelo GCC que rejeita pedágios, tarifas e tentativas de controle do estreito. O parlamentar reafirmou que as capacidades de mísseis e drones do Irã 'são uma linha vermelha e não serão restringidas por nenhum acordo', e advertiu líderes do CCG que 'a segurança importada de Washington não passa de miragem'.

Sultanato de Omã / Ministério das Relações Exteriores

Oman-Iran Committee on Strait of Hormuz holds first meeting — Oman Ministry of Foreign Affairs

O Comitê Conjunto Omã-Irã sobre o Estreito de Ormuz realizou sua primeira reunião em Mascate em 29 de junho de 2026. A delegação omanense foi liderada pelo Embaixador itinerante Sheikh Abdulaziz Al Hinai; a iraniana, pelo Vice-Ministro Kazem Gharibabadi. O comitê discutiu formas de coordenação sobre o Estreito de Ormuz em conformidade com os interesses mútuos e a soberania de ambas as nações, reafirmou o compromisso com o direito internacional e explorou estruturas de cooperação em navegação e serviços marítimos — base direta para a proposta de taxas de serviços marítimos que Omã discute com o Irã.

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