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Terremotos na Venezuela deixam 164 mortos e centenas de desaparecidos

O número de mortes chega a 164 após sismos de magnitudes 7,2 e 7,5. O governo criou um fundo de US$ 200 milhões para reconstrução enquanto equipes buscam sobreviventes sob escombros de prédios colapsados.

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Foto: G1 Mundo
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25/06 às 03:45 · atualizado 28/06 às 09:08

Pontos principais

  • Dois sismos de magnitudes 7,2 e 7,5 atingiram a região de Morón e Caracas, sendo os mais fortes registrados no país desde 1900.
  • O balanço oficial, confirmado pela presidente em exercício Delcy Rodríguez, aponta 164 mortes e 971 feridos.
  • O Serviço Geológico dos EUA estima que o número de vítimas fatais possa variar entre 10 mil e 100 mil.
  • O estado de La Guaira foi identificado como a área mais afetada, com dezenas de edifícios e hotéis colapsados.
  • O governo venezuelano decretou estado de emergência, suspendendo aulas e serviços não essenciais.
  • O Aeroporto Internacional Simón Bolívar permanece fechado devido a danos estruturais, dificultando a logística de socorro.
  • O presidente Donald Trump ofereceu assistência oficial, enquanto Brasil, China e outros países mobilizam equipes de resgate.
  • Tremores foram sentidos nos estados brasileiros do Amazonas, Amapá, Pará e Roraima, sem registro de danos ou vítimas no Brasil.
  • Registros em vídeo feitos por moradores mostram a destruição interna de edifícios em Caracas logo após os abalos.

A Venezuela enfrenta uma grave crise humanitária após dois terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 atingirem a região norte do país na última quarta-feira, 24 de junho, com epicentro próximo à cidade de Morón. Os abalos, ocorridos com intervalo de apenas um minuto em áreas densamente povoadas, representam o evento sísmico mais intenso registrado no país em mais de um século. O desastre provocou destruição generalizada, visível em imagens de satélite e registros em vídeo compartilhados por moradores, que mostram a extensão dos danos estruturais internos em edifícios de Caracas. A situação forçou a presidente interina Delcy Rodríguez a decretar estado de emergência e paralisar serviços não essenciais.

O balanço oficial mais recente aponta 164 mortes e 971 feridos, mas a situação permanece crítica com centenas de pessoas ainda desaparecidas sob os escombros. O estado de La Guaira foi apontado pelas autoridades como a região mais atingida, onde dezenas de edifícios residenciais e hotéis colapsaram completamente. Equipes de resgate realizam buscas frenéticas em meio à incerteza sobre a extensão total dos danos. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) alerta que o número de vítimas fatais pode ser significativamente maior, estimando um cenário entre 10 mil e 100 mil óbitos.

Para lidar com a catástrofe, o governo venezuelano anunciou a criação de um fundo emergencial de US$ 200 milhões, contando com o apoio do Fundo Monetário Internacional (FMI) para as futuras ações de reconstrução. O fechamento do Aeroporto Internacional Simón Bolívar, devido a danos estruturais severos, impõe desafios logísticos críticos à chegada de ajuda internacional e ao fluxo de suprimentos médicos básicos necessários para o atendimento aos feridos que continuam a ser resgatados das áreas atingidas.

Em resposta à crise, o presidente Donald Trump formalizou a oferta de assistência oficial, somando-se aos esforços de diversos países, como China e Brasil, que enviaram equipes de busca e salvamento. O Itamaraty confirmou que não há brasileiros entre as vítimas. Embora os tremores tenham sido sentidos com intensidade em estados do Norte do Brasil, como Amazonas, Amapá, Pará e Roraima, as autoridades brasileiras informaram que não houve danos em território nacional. O trabalho de resgate segue ininterrupto sob condições críticas, enquanto o país tenta organizar a resposta ao maior desastre natural de sua história recente.

Fontes primárias

U.S. Geological Survey (USGS)

Terremoto doublet M7,2 + M7,5 — costa norte da Venezuela (SE de Yumare)

O USGS registrou um par de terremotos (doublet) na costa norte da Venezuela em 24/06/2026: primeiro um M7,2 (Mww) às 18:04:33 hora local (UTC-4), a 23 km a sudeste de Yumare, profundidade ~20 km, seguido 38 segundos depois por um M7,5 (Mww) às 18:05:11, a 28 km a sudeste de Yumare, profundidade 10 km. Intensidade máxima estimada (Modified Mercalli) de IX (tremor violento). O USGS emitiu alerta PAGER VERMELHO para mortes e perdas econômicas: 'Alta letalidade e danos extensos são prováveis e o desastre provavelmente é generalizado; alertas vermelhos anteriores exigiram resposta nacional ou internacional.' A modelagem de fatalidades aponta como cenário mais provável a faixa de 10.000 a 100.000 mortes (probabilidade ~42%), seguida por 1.000 a 10.000 (~33%) e acima de 100.000 (~17%). Perdas econômicas estimadas em 1% a 7% do PIB da Venezuela. O parque construído predominante na região (alvenaria de tijolo não armada e adobe) é vulnerável ao tremor. Não há alerta de tsunami em vigor. Como contexto histórico, o USGS lembra que um M6,6 a ~128 km ao norte deste epicentro atingiu Caracas em 30/07/1967, com 240 mortos.

Gobierno de Venezuela / VTV (canal del Estado)

Balanço oficial de vítimas e decreto de Estado de Emergência — Presidenta (E) Delcy Rodríguez

A presidenta encarregada Delcy Rodríguez decretou Estado de Emergência constitucional em todo o território nacional e declarou o estado de La Guaira como 'zona de desastre' após o duplo terremoto. No primeiro balanço oficial, transmitido pela VTV (~21:33 local de 24/06), informou 32 mortos e mais de 700 feridos atendidos em hospitais públicos e centros de saúde privados, ressalvando que o número ainda não incluía La Guaira — a região mais afetada. Em novo balanço na manhã de 25/06, o governo elevou as cifras para 164 mortos, 971 feridos e mais de 30 réplicas em Caracas e entidades próximas. As cifras são preliminares e o próprio governo alerta que devem subir conforme avançam as buscas sob os escombros. Foram acionados o Estado-Maior para a Atenção da Emergência e todo o corpo de Proteção Civil, com chegada anunciada de equipes de resgate internacionais.

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