O que aconteceu
Na noite de quarta-feira, 24 de junho de 2026, dois terremotos de grande magnitude (7,2 e 7,5) atingiram em sequência o norte da Venezuela — um fenômeno geológico conhecido como doublet. O abalo, descrito como o mais forte registrado no país em um século, devastou a capital Caracas e o estado costeiro de La Guaira, derrubou edifícios, sobrecarregou hospitais já fragilizados e desencadeou uma crise humanitária. O balanço oficial de mortos, que começou em 164, subiu de forma acelerada nos dias seguintes e ultrapassou 1.430 até 27 de junho, com dezenas de milhares de desaparecidos e uma ampla mobilização internacional de resgate.
Esta página acompanha a evolução da situação — onde foi, quantas vítimas, que ajuda chegou e como esses números mudaram dia a dia, com base na cobertura do Daily Journal.
Dois sismos sucessivos de magnitudes 7,2 e 7,5 (as primeiras leituras variaram entre 7,1 e 7,5) atingiram a costa norte da Venezuela na quarta-feira, 24 de junho de 2026. Geólogos classificaram a sequência como um terremoto doublet — dois tremores de magnitude semelhante muito próximos no tempo e no espaço. Foi o evento sísmico mais severo no país desde 1900.
O governo venezuelano, sob a vice-presidente Delcy Rodríguez, decretou estado de emergência nacional em meio ao pânico generalizado, falhas nas comunicações e colapso de edificações. Nos dias seguintes, réplicas continuaram a atingir a região — incluindo um novo tremor de magnitude 4,9 em Caracas —, dificultando as operações de resgate. Especialistas ressaltaram que ainda não há capacidade científica de prever terremotos destrutivos e que a coincidência com tremores no Japão e na Califórnia na mesma janela de horas não tinha qualquer conexão tectônica.
Localizações atingidas
- Caracas (capital): colapsos estruturais, hospitais sobrecarregados e milhares de desabrigados, que buscaram refúgio em espaços públicos como o Parque del Este. As buscas se concentraram em prédios desabados, como o edifício Petunia.
- La Guaira (estado costeiro): uma das áreas mais próximas do epicentro e das mais devastadas. Cidades como Catia La Mar ficaram em ruínas; moradores relataram escassez de socorro oficial e organizaram resgates por conta própria.
- Norte/costa da Venezuela: a faixa litorânea concentrou a destruição e os alertas de risco (inclusive temores iniciais de tsunami, depois descartados).
- Fronteira Venezuela–Colômbia: equipes de busca também atuaram na região de fronteira para localizar pessoas soterradas.
Número de vítimas: como os números evoluíram
O balanço oficial subiu rapidamente à medida que as buscas avançavam. A progressão do número de mortos registrada na cobertura:
| Data (2026) | Mortos confirmados |
|---|---|
| 24/06 (noite) | primeiras vítimas |
| 25/06 (madrugada) | 164 |
| 25/06 (manhã) | 188 |
| 25/06 (tarde) | 235 |
| 26/06 (madrugada) | 589 |
| 26/06 (tarde) | 920 |
| 27/06 | 1.430 |
| 28/06 | ~1.400 (mantido) |
Em paralelo, os demais indicadores também escalaram:
- Feridos: cerca de 1.000 (25/06) → 1.500 → 2.980 → 3.360 (26/06).
- Desaparecidos: de centenas para 24 mil (25/06), depois estimados em 50 mil pela ONU (26/06) e em torno de 70 mil em 27/06.
- Prejuízos materiais: estimados pela ONU em US$ 6,7 bilhões (26/06) e revisados para até US$ 8,7 bilhões (27/06), com quase 2 milhões de edificações danificadas.
As chances de encontrar sobreviventes caíram drasticamente com o passar dos dias, e as buscas entraram no quarto dia ainda com milhares de pessoas sob os escombros.
Vítimas estrangeiras e brasileiras
- Brasileiros: o Itamaraty confirmou a morte de dois brasileiros. Entre eles, o pastor mineiro Romildo Batista de Lima, de 69 anos, morto pelo desabamento de uma parede em Caracas, e a modelo Vanessa Zacarias da Silva.
- Espanhóis: o governo da Espanha confirmou três mortos e 99 desaparecidos.
- Esporte: o jogador da seleção sub-20 da Venezuela Yimvert Berroterán, de 18 anos, morreu no terremoto; também foi registrada a morte da esposa do jogador Hector Bello. Atletas de futebol e beisebol buscaram familiares desaparecidos.
Resgate e histórias de sobrevivência
As operações de busca e salvamento misturaram equipes oficiais, missões internacionais e mobilização civil:
- O cão Tsunami, resgatado de maus-tratos, localizou 12 sobreviventes antes de encerrar a carreira.
- Um bebê nasceu em meio aos escombros e foi resgatado com vida; uma mãe e seu recém-nascido foram encontrados após mais de 24 horas soterrados em La Guaira; um homem foi retirado com vida em Catia La Mar dois dias após os tremores.
- Diante da lentidão inicial, voluntários, motoqueiros e a diáspora venezuelana organizaram resgates e levaram suprimentos. O governo enviou mais de 100 máquinas pesadas após críticas, e o sistema de alerta de terremotos do Android chegou a avisar usuários antes de tremores.
Ajuda humanitária
A resposta internacional cresceu dia a dia:
- Brasil: Lula ofereceu ajuda já em 25/06 e conversou com Delcy Rodríguez; a Fiocruz articulou apoio técnico; bombeiros e cerca de 25 toneladas de suprimentos médicos foram mobilizados. Uma missão com 44 especialistas e 12 toneladas de equipamentos chegou em 26/06, seguida do envio de um ministro e de um terceiro voo da FAB (27/06). A Comissão de Direitos Humanos do Senado pediu o oferecimento de telemedicina.
- Estados Unidos: após diálogo entre Marco Rubio e Delcy Rodríguez, Washington suspendeu sanções por quatro meses para permitir transações humanitárias (26/06), redirecionou navios militares que faziam bloqueio naval para missões de resgate (27/06) e anunciou um pacote de US$ 150 milhões (28/06).
- Comunidade internacional: equipes de resgate de 17 países e a ONU se mobilizaram; Canadá (governo de Mark Carney e uma equipe de Burnaby), União Europeia e outros enviaram apoio. Ao todo, cerca de 1.600 socorristas atuavam no país em 27/06. O banco CAF criou um fundo de US$ 1 milhão para reconstrução (28/06), o FMI avaliou as necessidades econômicas e o Papa Leão XIV manifestou solidariedade.
- Empresas e tecnologia: a Starlink ofereceu internet via satélite gratuita por 30 dias; a Chevron informou que suas operações seguiam normais.
- Governo venezuelano: além do estado de emergência, criou um fundo de reconstrução (anunciado primeiro em US$ 200 milhões e depois em torno de R$ 1 bilhão).
Impacto econômico
Os terremotos interromperam sinais de recuperação econômica e agravaram uma crise pré-existente marcada por pobreza extrema e dívida recorde. Além dos prejuízos materiais estimados em US$ 6,7 a 8,7 bilhões, o governo passou a buscar uma reestruturação rápida da dívida pública para financiar a resposta. A Chevron manteve a produção, mas a destruição de quase 2 milhões de edificações ampliou a pressão sobre infraestrutura, saúde e moradia.
Repercussão política
A gestão da crise pela vice-presidente Delcy Rodríguez passou a ser alvo de críticas: relatos de lentidão no socorro, restrição de acesso a áreas devastadas e acusações de politização da ajuda humanitária alimentaram protestos populares, em meio à instabilidade política do país.
Desinformação
A tragédia gerou uma onda de notícias falsas. Um dos casos mais difundidos foi um vídeo de tsunami atribuído à Venezuela que, na verdade, mostrava imagens do desastre de 2011 no Japão — um lembrete da necessidade de verificar conteúdos antes de compartilhar.
Por que a Venezuela é vulnerável a terremotos
Construções antigas e normas de engenharia deficientes elevam o risco de colapso de edificações no país. Especialistas apontam ainda que implementar um sistema nacional de alerta sísmico exigiria décadas de investimento, dada a complexa geologia da região e a falta de infraestrutura — fatores que tornaram o doublet de 2026 especialmente letal.
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