Dois sismos de magnitudes 7.2 e 7.5 atingiram a costa venezuelana, causando destruição em Caracas e levando o governo a decretar emergência nacional.
A capital da Venezuela, Caracas, foi atingida na última quarta-feira por dois fortes terremotos, com magnitudes de 7.2 e 7.5, ocorridos com menos de um minuto de intervalo entre si. Segundo dados confirmados pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o segundo abalo representa o maior evento sísmico registrado no país em mais de cem anos. O alerta vermelho emitido pelo órgão indicou a alta probabilidade de danos extensos, com especialistas ressaltando que a magnitude do evento impõe desafios estruturais sem precedentes no último século. O epicentro, localizado entre El Guayabo e Montalbán, resultou no colapso de diversas estruturas, incluindo uma torre residencial de 22 andares e um hotel de oito andares no litoral. O desastre ocorreu durante o feriado nacional de independência, mantendo grande parte da população em suas residências, o que elevou a gravidade da situação.
Diante da magnitude da destruição, a presidente interina Delcy Rodríguez decretou estado de emergência nacional e suspendeu todos os serviços não essenciais para facilitar as operações de resgate. Equipes de socorro trabalham ininterruptamente em meio aos escombros, enquanto relatos de sobreviventes descrevem cenas de desespero. Além do impacto local, o tremor foi sentido com intensidade em estados brasileiros do Norte, como Amazonas, Pará, Amapá e Roraima, com registros de moradores em Manaus e Belém que sentiram os efeitos do abalo a cerca de 1.700 quilômetros de distância, embora não tenham sido reportados danos estruturais ou vítimas no Brasil.
O Aeroporto Internacional Simón Bolívar sofreu danos significativos em sua infraestrutura, o que forçou o fechamento do terminal e tem dificultado a logística de socorro e o transporte de suprimentos essenciais para as áreas mais atingidas. Além dos danos aeroportuários, a rede elétrica de Caracas foi severamente comprometida, deixando vastas áreas da capital sem energia e complicando ainda mais os esforços de busca e salvamento. A infraestrutura urbana enfrenta um teste crítico, com a imprensa local destacando a preocupação com a estabilidade de outras edificações que podem ter sido comprometidas pelos tremores secundários contínuos.
O evento sísmico impõe um desafio adicional a um país que enfrenta anos de instabilidade econômica. Atualmente, o governo venezuelano mantém esforços de cooperação com os Estados Unidos para tentar estabilizar a economia nacional. A extensão total dos danos causados pelos terremotos ainda está sendo avaliada pelas autoridades locais, que buscam equilibrar a resposta emergencial ao desastre natural com a necessidade de manter o cronograma de recuperação econômica em curso, enquanto o Sistema de Alerta de Tsunamis dos EUA, que chegou a emitir um aviso preventivo para o Caribe, confirmou que a ameaça foi descartada.
Sismo principal de magnitude 7,5 (Mww), com epicentro 23 km a sudeste de Yumare, na costa centro-norte da Venezuela (lat 10,453; lon -68,514), a uma profundidade rasa de 10 km. Ocorreu em 24/06/2026 às 22:05:12 UTC (18:05 no horário local da Venezuela, UTC-4), cerca de 39 segundos após um tremor de magnitude 7,2 na mesma zona. O USGS estima intensidade máxima de MMI IX ("violenta"), com 257 relatos de pessoas que o sentiram (CDI 8,7). Para este evento o USGS emitiu alerta PAGER vermelho — o nível mais alto da escala (verde/amarelo/laranja/vermelho) —, que sinaliza estimativa de impacto elevado, com potencial de vítimas fatais numerosas e perdas econômicas extensas na população exposta.
Tremor de magnitude 7,2 (Mww) registrado às 22:04:33 UTC de 24/06/2026 (18:04 no horário local, UTC-4), com epicentro 24 km a leste-nordeste de San Felipe (lat 10,387; lon -68,52), a 21,9 km de profundidade. Antecedeu em cerca de 39 segundos o sismo principal de magnitude 7,5 na mesma região. O USGS estima intensidade máxima de MMI IX e também classificou este evento com alerta PAGER vermelho.
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