A corrupção política no Brasil é o uso indevido do poder público para ganho privado, manifestando-se em desvio de verbas, peculato e lavagem de dinheiro, como visto em fraudes na cota parlamentar e licitações da saúde. Investigações recentes da Polícia Federal, como a Operação Galho Fraco, expõem esquemas com empresas de fachada e "smurfing". O país enfrenta estagnação no combate à corrupção, conforme o Índice de Percepção da Corrupção de 2025 da Transparência Internacional, que aponta falhas nos Três Poderes e a manutenção de práticas como a barganha política por emendas parlamentares. Casos notórios incluem o "Caso PowerPoint" envolvendo Deltan Dallagnol e Lula, e operações contra desvios na saúde do Rio Grande do Norte.
Corrupção política refere-se ao uso indevido do poder público para ganho privado. No Brasil, manifesta-se de diversas formas, incluindo o desvio de verbas públicas, peculato e lavagem de dinheiro. Um exemplo recente envolve investigações sobre o uso indevido da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP), conhecida como cota parlamentar, destinada a cobrir despesas relacionadas ao mandato de deputados e senadores. Investigações recentes apontam para o uso de métodos como "smurfing" (fracionamento de depósitos) e a criação de "despesas inexistentes" para desviar recursos públicos. No setor da saúde, a corrupção se manifesta através de fraudes em processos licitatórios e desvio de verbas públicas destinadas à compra de insumos, com indícios de não entrega de materiais, fornecimento inadequado e sobrepreço em contratos, como evidenciado por operações recentes da Polícia Federal. Além disso, casos de abuso de autoridade e difamação por figuras públicas, mesmo que não diretamente ligados ao desvio de fundos, também são considerados manifestações de corrupção política, pois envolvem o uso indevido de poder ou influência para fins privados ou para prejudicar adversários políticos, como exemplificado pelo "Caso PowerPoint" envolvendo Deltan Dallagnol e Luiz Inácio Lula da Silva.
A cota parlamentar (CEAP) foi criada em 2009 para unificar benefícios como verba indenizatória e cotas de passagens aéreas, visando custear despesas essenciais ao trabalho parlamentar. Embora haja mecanismos de transparência, como a disponibilização de notas fiscais digitalizadas desde 2014, investigações frequentemente revelam esquemas de desvio, como o uso de empresas de fachada para justificar gastos e ocultar a apropriação de recursos públicos. A legislação proíbe o uso da cota para benefícios pessoais, gastos eleitorais ou com empresas de familiares de parlamentares. Indícios recentes apontam para a participação de funcionários comissionados e o uso de empresas de fachada para simular a contratação de serviços e justificar despesas irregulares. No âmbito da saúde, as investigações frequentemente se concentram em contratos de fornecimento de medicamentos e materiais, onde a manipulação de licitações e o superfaturamento são práticas comuns, impactando diretamente a qualidade dos serviços públicos. A percepção da corrupção no Brasil tem sido um desafio persistente, com o país registrando 35 pontos no Índice de Percepção da Corrupção (IPC) de 2025 da Transparência Internacional, repetindo a segunda pior nota da série histórica iniciada em 2012. O melhor desempenho do Brasil foi em 2012 e 2014 (43 pontos), e o pior em 2024 (34 pontos).
Em 2016, o então procurador Deltan Dallagnol, coordenador da Operação Lava Jato no Paraná, realizou uma apresentação em PowerPoint para ilustrar a denúncia contra Luiz Inácio Lula da Silva no caso do triplex do Guarujá. A defesa de Lula moveu uma ação por danos morais, alegando que a apresentação configurava um julgamento antecipado e uso abusivo da autoridade. Após recursos, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e, posteriormente, o Supremo Tribunal Federal (STF) em junho de 2024, decidiram a favor de Lula, condenando Dallagnol a pagar uma indenização. Em novembro de 2025, Dallagnol efetuou o pagamento de R$ 146.847,13 a Lula. Dallagnol afirmou que faria tudo novamente e que o valor excedente de doações recebidas para o pagamento seria destinado a hospitais filantrópicos.
Em 27 de janeiro de 2026, a Polícia Federal deflagrou uma operação para desarticular um esquema de desvio de verbas públicas e fraudes em processos de licitação na área da saúde no Rio Grande do Norte. O prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União), foi um dos alvos da operação, que cumpriu 35 mandados de busca e apreensão em diversas cidades do estado. As investigações apontam irregularidades em contratos de fornecimento de insumos para a rede pública de saúde, incluindo indícios de não entrega de materiais, fornecimento inadequado e sobrepreço. A defesa de Allyson Bezerra negou qualquer vínculo pessoal do prefeito com os fatos investigados e afirmou que ele colaborou com as autoridades. Bezerra, que é pré-candidato ao governo do Rio Grande do Norte, sugeriu que a investigação, datada de 2023, ressurge em 2026, ano eleitoral, com motivações políticas. O prefeito já havia sido investigado por abuso de poder político e econômico após sua reeleição em 2024 e por suposta propaganda eleitoral antecipada em 2025.
O Brasil tem enfrentado um cenário de "estagnação" no combate à corrupção, conforme o Índice de Percepção da Corrupção (IPC) da Transparência Internacional. Em 2025, o país registrou 35 pontos (em uma escala de 0 a 100, onde notas menores indicam maior percepção de corrupção), repetindo a segunda pior nota da série histórica iniciada em 2012 e mantendo a 107ª posição entre 182 países e territórios. Essa pontuação representa uma variação de apenas um ponto em relação a 2024 (34 pontos), considerada "estaticamente insignificante" pela organização. O melhor desempenho do Brasil no IPC foi em 2012 e 2014, com 43 pontos. O país se encontra abaixo da média das Américas e da média global de 42 pontos. O diretor executivo da Transparência Internacional – Brasil, Bruno Brandão, aponta que os Três Poderes contribuem para essa estagnação. Ele critica o governo Lula por "falhas" na captura de agências regulatórias e estatais e pela manutenção da barganha política baseada nas emendas parlamentares. O Congresso é acusado de aprovar medidas que enfraquecem o combate à corrupção, como o afrouxamento da Lei da Ficha Limpa. Já o Supremo Tribunal Federal (STF) é criticado por garantir impunidade em casos de macrocorrupção e por supostos vínculos de seus ministros com empresas corruptas. No ranking mundial de 2025, Dinamarca (89 pontos), Finlândia (88 pontos) e Cingapura (84 pontos) lideram, enquanto Somália e Sudão do Sul (ambos com 9 pontos) e Venezuela (10 pontos) ocupam as últimas posições. Países como Sri Lanka (35 pontos), Argentina, Belize e Ucrânia (36 pontos) pontuaram próximo ao Brasil.