Aliados de Lula pressionam Jaques Wagner a deixar a liderança no Senado após investigação sobre o Banco Master, enquanto o PT tenta blindar o governo.
A situação do senador Jaques Wagner na liderança do governo no Senado tornou-se um ponto de tensão para a base aliada e para o PT. A deflagração de uma nova fase da Operação Compliance Zero, que apura o suposto recebimento de R$ 3,5 milhões, um apartamento de luxo e o uso de aeronaves particulares em um desdobramento de investigações sobre o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro, gerou um clima de incerteza no Planalto. A ação policial surpreendeu não apenas o governo, mas também a cúpula da corporação, uma vez que o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, não tinha conhecimento prévio da diligência.
Integrantes do governo e do PT agora esperam que Wagner faça um gesto de entrega voluntária do cargo para blindar o Executivo de desgastes políticos. Paralelamente, o caso repercutiu entre a oposição, com o senador Flávio Bolsonaro descrevendo a operação como um 'alento' para o cenário político. O Planalto monitora o impacto do episódio, temendo que a oposição utilize a investigação para equiparar as denúncias e desviar o foco das apurações que envolvem o próprio Flávio Bolsonaro.
Em resposta, a estratégia do PT é insistir no discurso contra o senador do PL, enquanto tenta dissociar a imagem de Lula das investigações envolvendo Wagner. O partido avalia os danos políticos da operação e busca diferenciar a situação de seu líder no Senado das acusações enfrentadas pelo adversário. Embora o presidente do PT, Edinho Silva, tenha manifestado confiança na inocência do senador, a decisão final sobre sua permanência no posto permanece sob análise direta do presidente Lula, que pondera o impacto da crise na estabilidade da base governista.
Folha de São Paulo - Política • 18 jun, 13:02
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