Combates persistem no Líbano apesar de acordo entre EUA e Irã
Apesar do anúncio de um cessar-fogo mediado pelo Paquistão, ataques aéreos e confrontos terrestres continuam, mantendo o risco para 1,2 milhão de deslocados.
Pontos principais
- Acordo diplomático entre EUA e Irã, mediado pelo Paquistão, estabeleceu o fim das operações militares no Líbano.
- Israel realizou ataques aéreos e via drone no sul do Líbano poucas horas após o anúncio do cessar-fogo.
- O Hezbollah respondeu aos ataques israelenses, mantendo o ciclo de hostilidades na região de Kfar Tebnit.
- Israel mantém presença militar no sul do Líbano por tempo indeterminado para remover infraestrutura do Hezbollah.
- O conflito já resultou em aproximadamente 3.800 mortes desde março.
- O Exército Libanês recomendou que moradores não retornem às suas casas devido ao risco de violações do acordo.
- Um memorando de entendimento formal entre EUA e Irã está previsto para ser assinado em Genebra na próxima sexta-feira.
As operações militares no sul do Líbano registraram uma redução parcial, mas não cessaram, após a formalização de um cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, sob mediação do Paquistão. Embora o governo iraniano tenha confirmado que o pacto abrange as hostilidades, a falta de clareza sobre os termos e a continuidade dos ataques demonstram a fragilidade da trégua. Recentemente, um drone israelense atingiu um veículo em Kfar Tebnit, resultando em uma morte e ferindo o jornalista Hadi Abdel Moneim Hoteit, ao que o Hezbollah respondeu atacando um comboio militar na mesma região. O governo de Israel reafirmou que manterá tropas no território por tempo indeterminado, com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu declarando que a presença militar visa remover infraestruturas ligadas ao Hezbollah das zonas de segurança.
Na prática, o cenário para a população civil permanece crítico. Apesar do anúncio diplomático, moradores que tentam retornar às suas aldeias expressam ceticismo e medo, relatando perigos como veículos carregados de explosivos deixados em estradas e a destruição total de residências. O Exército Libanês emitiu um alerta oficial recomendando que os civis não retornem às suas casas, citando o risco elevado de novas violações do acordo. Funcionários locais reforçam que a presença de armamentos e os riscos de segurança impedem o retorno seguro de 1,2 milhão de deslocados.
A desconfiança sobre a durabilidade do cessar-fogo é o sentimento predominante entre os cidadãos, que enfrentam dificuldades logísticas severas para retomar a vida cotidiana em meio a um conflito que já contabiliza quase 3.800 mortes. A expectativa agora recai sobre a assinatura de um memorando de entendimento entre Washington e Teerã, prevista para ocorrer em Genebra na próxima sexta-feira, que poderá definir se o pacto terá força vinculante suficiente para estabilizar a região ou se as hostilidades seguirão em um ritmo intermitente.
Fontes primárias
Anúncio do acordo de paz EUA–Irã (mediação do Paquistão)
O primeiro-ministro paquistanês, mediador das negociações, anuncia que o acordo de paz entre os Estados Unidos e a República Islâmica do Irã foi ALCANÇADO. Segundo o comunicado, ambos os lados declararam a 'cessação imediata e permanente das operações militares em todas as frentes, inclusive no Líbano'. A cerimônia oficial de assinatura está marcada para sexta-feira, 19 de junho, na Suíça; mediadores facilitarão uma série de reuniões pré-implementação ao longo da semana para preparar as conversas técnicas. O texto agradece a EUA e Irã pelo compromisso com a solução diplomática e ao Catar, Arábia Saudita e Turquia pela mediação.
Comunicado do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã sobre o memorando de entendimento com os EUA
Em comunicado divulgado na noite de domingo, a secretaria do SNSC afirma que, com base na aprovação do Conselho, o texto do memorando de entendimento sobre as negociações de fim de guerra (conversas de Islamabad) entre Irã e EUA foi finalizado. Segundo o comunicado: 'Com base nos acordos alcançados, a guerra e as operações militares em todas as frentes, inclusive no Líbano, são encerradas imediata e permanentemente. Além disso, o bloqueio naval contra o Irã é encerrado imediata e completamente.' O MoU será assinado oficialmente na sexta-feira, 19 de junho; as negociações para um acordo final ficam adiadas até que o outro lado cumpra seus compromissos sob o memorando. O texto agradece a mediação de Paquistão e Catar.
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