A SpaceX realizou o maior IPO da história de Wall Street, captando US$ 75 bilhões e registrando alta de 30% nas negociações iniciais na Nasdaq.
A SpaceX iniciou oficialmente suas negociações na Nasdaq nesta sexta-feira, consolidando o maior IPO da história de Wall Street. Com uma avaliação de mercado de US$ 1,77 trilhão, as ações abriram com forte valorização de cerca de 30%, impulsionadas por uma demanda massiva que superou US$ 350 bilhões. Diferente do modelo tradicional, a companhia optou por definir o preço de US$ 135 por ação antecipadamente, sem a utilização de uma faixa de preço aberta. Para o público brasileiro, a operação também trouxe novidades, com a disponibilização de BDRs da empresa na B3, sob o código SPCX34, permitindo que investidores locais participem do ativo. Para assegurar a integridade do sistema durante a estreia, bolsas e corretoras reforçaram sua infraestrutura tecnológica, prevenindo falhas diante do alto volume de ordens.
Para garantir a listagem da companhia, a Nasdaq implementou mudanças estratégicas em suas normas entre março e maio. As alterações eliminam a exigência de 10% de ações em free float para o cálculo de peso no índice Nasdaq 100. Com as novas regras, a SpaceX pode integrar o índice já em julho, após o 15º dia de negociação, caso mantenha o valuation atual. A medida facilita a entrada de fundos e ETFs que replicam o índice, garantindo maior liquidez ao papel, mas também elevando a volatilidade no curto prazo devido às compras automáticas programadas.
O evento marca um momento histórico para o setor aeroespacial e trouxe à tona debates sobre a liquidez nos mercados financeiros globais. Analistas observam se a magnitude da operação pode impactar o fluxo de investimentos em mercados emergentes, enquanto avaliam a governança centralizada de Elon Musk e a sinergia com a Tesla. O desempenho das ações é acompanhado de perto como um teste para o chamado 'prêmio Musk', especialmente no atual cenário político dos Estados Unidos, onde a influência do empresário é um fator de peso para o mercado.
Em meio ao ceticismo de parte dos analistas sobre os múltiplos de avaliação diante dos prejuízos recentes, a COO Gwynne Shotwell reforçou que a estratégia da empresa prioriza objetivos de longo prazo em infraestrutura espacial e inteligência artificial em detrimento de resultados trimestrais imediatos. A expectativa de alta permanece elevada entre investidores, que veem na SpaceX um ativo estratégico, apesar das incertezas inerentes a um setor de capital intensivo e alta complexidade tecnológica.
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