Irã fecha Estreito de Ormuz e ataca navios após ofensiva dos EUA
O Irã bloqueou o Estreito de Ormuz para todo o tráfego marítimo e atacou navios em retaliação a ataques dos EUA, enquanto o Catar tenta mediar o conflito.
Pontos principais
- O Irã proibiu a passagem de qualquer embarcação comercial ou petroleiro pelo Estreito de Ormuz, ameaçando atacar quem desobedecer.
- A ofensiva iraniana é uma retaliação direta a novos ataques aéreos dos EUA contra alvos no sul do país.
- O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que as operações visam fortalecer a posição militar norte-americana.
- Autoridades iranianas denunciaram os ataques dos EUA como crimes de guerra, citando danos a infraestruturas civis.
- O bloqueio total do canal, vital para o transporte global de petróleo, eleva a tensão sob a gestão de Donald Trump.
- Uma delegação do Catar chegou a Teerã para tentar mediar negociações de paz entre as duas nações.
A escalada de tensões no Golfo Pérsico atingiu um novo patamar após o governo do Irã confirmar o ataque a dois navios no Estreito de Ormuz e declarar o fechamento total da rota para a navegação internacional. O alto comando militar iraniano emitiu um comunicado oficial proibindo a passagem de qualquer embarcação comercial ou petroleiro, alertando que navios que tentarem cruzar a via serão alvos diretos de ataques. A medida, executada pela Marinha da Guarda Revolucionária, ocorre como resposta direta a novos ataques aéreos realizados pelos Estados Unidos contra múltiplos alvos no território iraniano.
Enquanto o Comando Central dos EUA justifica as operações como uma medida necessária diante da agressão contínua de Teerã, autoridades iranianas classificaram as ações norte-americanas como crimes de guerra, alegando danos a infraestruturas civis críticas, como sistemas de abastecimento de água. O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, reiterou que os ataques buscam consolidar a posição diplomática e militar de Washington na região, mantendo a postura firme da gestão de Donald Trump frente aos desafios geopolíticos no Oriente Médio.
O cenário de instabilidade é agravado pela interrupção completa desta via logística, essencial para o fluxo global de energia, gerando incertezas severas sobre o fornecimento de petróleo e o impacto nos preços das commodities. Em meio ao confronto direto que intensifica a volatilidade nos mercados internacionais, uma delegação do Catar desembarcou em Teerã com o objetivo de mediar negociações de paz. A situação coloca em xeque a segurança do transporte marítimo global e testa a capacidade de mediação diplomática em um dos momentos mais críticos da geopolítica recente.
Fontes primárias
Comunicado do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya e da Marinha do IRGC — fechamento do Estreito de Ormuz
Em comunicado emitido na madrugada de quinta-feira (11), o Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, comando operacional conjunto das Forças Armadas do Irã, declara: "A partir deste momento, devido à insegurança na região, o Estreito de Ormuz está declarado fechado à passagem de todas as embarcações, incluindo petroleiros e navios comerciais, e qualquer tráfego será alvejado." O comando atribui a ordem aos "contínuos atos de agressão dos criminosos Estados Unidos" e ao início de ataques do exército americano contra várias áreas da província de Hormozgan, no sul do país, e rejeita as alegações dos EUA de que navios seguem transitando pelo estreito. Em comunicado separado, a Marinha do IRGC (Guarda Revolucionária) anuncia ter atingido dois navios que tentavam cruzar a via "ilegalmente", afirma que o estreito "ficará fechado até segunda ordem" e adverte: "nenhuma embarcação deve deixar seu ancoradouro no Golfo Pérsico ou no Mar de Omã. Qualquer aproximação do Estreito de Ormuz será considerada cooperação com o inimigo."
CENTCOM anuncia nova rodada de ataques contra alvos no Irã
Post oficial do Comando Central dos EUA no X (10/06, 21h36 UTC): "Forças do Comando Central dos EUA começaram a lançar ataques adicionais de autodefesa hoje às 17h15 (horário do leste dos EUA) contra múltiplos alvos no Irã, por determinação do Comandante-em-Chefe. Os ataques são em resposta à agressão injustificada e continuada do Irã." É a segunda rodada consecutiva: na véspera (09/06), o CENTCOM havia anunciado ataques em resposta à derrubada de um helicóptero Apache do Exército americano.
CENTCOM contesta fechamento: navios comerciais seguem transitando
Post oficial do CENTCOM no X (10/06, 23h35 UTC), em formato alegação/verdade: "ALEGAÇÃO: a Guarda Revolucionária do Irã afirma que o Estreito de Ormuz está fechado. VERDADE: navios comerciais continuam transitando para dentro e para fora do Estreito de Ormuz esta noite." Em post seguinte (23h42 UTC), o comando também nega a alegação da mídia estatal iraniana de que um navio de guerra americano teria sido atingido no estreito: "nenhum navio de guerra dos EUA foi atingido".
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