Daily Journal
Urgente
Daily Journal

EUA e Irã divergem sobre controle do Estreito de Ormuz em meio à escalada militar

Enquanto o Irã declara o fechamento do Estreito de Ormuz, os EUA reafirmam a liberdade de navegação na hidrovia após uma nova rodada de ataques mútuos.

Daily Journal
Foto: Times Brasil
||
12/07 às 11:01 · atualizado há 2min

Pontos principais

  • O governo iraniano alega o fechamento do Estreito de Ormuz e exige coordenação com a Guarda Revolucionária para tráfego.
  • O Comando Central dos EUA (Centcom) contesta o bloqueio, classificando a via como internacional e mantendo patrulhas.
  • O Centro Conjunto de Informações Marítimas (JMIC) mantém o nível de risco para a navegação na região como severo.
  • O presidente Donald Trump afirmou que o Irã rompeu um acordo nuclear ao atacar uma embarcação com um drone.
  • Bombardeios dos EUA atingiram cerca de 140 alvos militares iranianos em resposta a ataques na região.
  • O Irã lançou mísseis e drones contra países do Golfo que abrigam bases militares americanas.
  • O tráfego comercial no estreito permanece significativamente reduzido devido à presença de minas e vigilância constante.
  • O governo iraniano busca coordenar a gestão do tráfego com Omã, enquanto reafirma promessas de vingança pela morte de Ali Khamenei.
  • Especialistas sugerem que o mercado de petróleo subestima os riscos geopolíticos, com o Brent podendo oscilar entre US$ 80 e US$ 90.

A tensão no Golfo Pérsico atingiu um novo patamar com o Irã declarando o fechamento do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas para o comércio global de petróleo. O governo iraniano exige que embarcações coordenem sua passagem com a Guarda Revolucionária Islâmica, tratando a hidrovia como um instrumento de dissuasão. Em contrapartida, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) rejeita categoricamente a autoridade iraniana sobre a via, reafirmando que o estreito permanece aberto ao tráfego internacional e mantendo operações de patrulhamento para garantir a liberdade de navegação. O Centro Conjunto de Informações Marítimas (JMIC) confirma que rotas alternativas ao sul continuam operacionais, embora o risco à segurança seja classificado como severo devido à presença de minas e vigilância por drones.

O impasse ocorre após uma escalada militar direta entre Washington e Teerã. O presidente Donald Trump acusou o Irã de violar um acordo nuclear ao atacar uma embarcação comercial, o que desencadeou uma ofensiva americana contra 140 alvos militares iranianos. Em retaliação, o Irã expandiu suas operações, lançando ataques com mísseis e drones contra nações do Golfo que hospedam bases militares dos EUA, como Catar, Bahrein e Kuwait. O cenário é agravado pela retórica de vingança do governo iraniano pela morte de Ali Khamenei, sinalizando que a era de acordos unilaterais com Washington chegou ao fim.

A instabilidade na região gera preocupações imediatas no mercado financeiro global. Analistas alertam que o preço do petróleo Brent pode estar subestimando os riscos geopolíticos, com projeções de alta caso o bloqueio ou a insegurança persistam. Enquanto o Irã busca negociar a gestão do estreito com Omã, o governo americano mantém a pressão, com especialistas sugerindo o endurecimento de sanções contra as exportações de petróleo iraniano para conter o financiamento das operações militares na região. O tráfego marítimo, embora tecnicamente aberto, opera muito abaixo da média histórica, refletindo o temor das empresas de navegação diante da volatilidade militar.

Fontes primárias

Marinha do CIRG (via Tasnim News Agency)

IRGC Navy Declares Closure of Hormuz Strait

Em comunicado divulgado na madrugada de domingo (12/07), a Marinha do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (CIRG) declara o fechamento do Estreito de Ormuz até nova ordem. Segundo a nota, avisos anteriores contra a "interferência estrangeira" e a "designação ilegal de rota" foram ignorados: horas antes, várias embarcações tentaram seguir por uma rota não aprovada e desconsideraram os alertas para corrigir o curso. Um navio que havia desligado seus sistemas de rastreamento, colocando em risco a segurança marítima, foi atingido por tiros de advertência e obrigado a parar. Em razão do incidente, o CIRG anuncia duas medidas: (1) o estreito "será fechado até nova ordem e até o fim das intervenções americanas na região", com nenhuma embarcação autorizada a passar; (2) qualquer nova agressão do "inimigo" sob pretexto do episódio terá resposta "severa", com novas bases inimigas na região como alvo. O comunicado atribui a responsabilidade pelas consequências de qualquer nova intervenção aos EUA, a Israel e aos países que cedem território para bases americanas.

U.S. Central Command (CENTCOM)

CENTCOM: "The Strait of Hormuz is open to all vessels"

Em publicação no X às 12h14 UTC de domingo (12/07), o Comando Central dos EUA (CENTCOM) contesta diretamente a declaração de fechamento do CIRG: "o Estreito de Ormuz está aberto a todas as embarcações que buscam transitar legalmente pela via navegável internacional". Afirma que as forças americanas "estão posicionadas e prontas para garantir que a liberdade de navegação permaneça disponível", apesar da "agressão, assédio, ameaças e declarações arbitrárias" iranianas descritas como injustificadas. O comunicado é categórico: "o Irã não controla o estreito" e "o tráfego está fluindo".

Comentários

Carregando comentários...