CCJ do Senado aprova PEC que flexibiliza aposentadoria de agentes de saúde
A CCJ aprovou a PEC 14/2021, que garante aposentadoria especial e regula vínculos de agentes de saúde, com impacto fiscal de R$ 98,7 bilhões.
Pontos principais
- A proposta concede aposentadoria integral com 25 anos de contribuição e idade mínima de 57 anos para mulheres e 60 para homens.
- O Ministério da Previdência estima um impacto financeiro de R$ 98,7 bilhões aos cofres públicos.
- O texto reconhece as funções como essenciais e exclusivas de Estado, vedando contratações temporárias ou terceirizadas.
- Estados e municípios têm prazo até 2028 para regularizar os vínculos funcionais dos profissionais.
- A PEC prevê regras de transição escalonadas e a criação de um benefício extraordinário pago pela União.
- A matéria segue agora para votação em dois turnos no Plenário do Senado.
- O governo federal classifica a medida como pauta-bomba, enquanto o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, não deve pautar o tema nesta semana.
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou a PEC 14/2021, que altera as regras de aposentadoria e o regime de contratação de agentes comunitários de saúde e de combate às endemias. O texto garante aposentadoria integral e paridade, exigindo 25 anos de exercício efetivo da função e estabelecendo idades mínimas de 57 anos para mulheres e 60 para homens. A proposta também reconhece essas atividades como essenciais e exclusivas de Estado, vedando a terceirização, exceto em emergências de saúde pública, e determina que estados e municípios regularizem os vínculos funcionais até 31 de dezembro de 2028. Para viabilizar o custeio, o texto prevê a criação de um benefício extraordinário complementar pago pela União.
A medida é tratada pelo governo federal como uma pauta-bomba devido ao impacto fiscal estimado em R$ 98,7 bilhões, conforme cálculos do Ministério da Previdência. Durante a tramitação, senadores debateram o peso orçamentário da proposta e o risco de abertura de precedentes para outras categorias profissionais. Especialistas e parlamentares continuam a analisar as especificidades da atuação desses profissionais no sistema público e os reflexos previdenciários das alterações sugeridas, que buscam reconhecer a natureza singular do trabalho realizado pelos agentes em todo o território nacional.
Apesar do avanço na CCJ e do envio da matéria para votação em dois turnos no Plenário, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, indicou que o tema não deve ser pautado nesta semana, mantendo a tramitação em compasso de espera diante da resistência da equipe econômica. A proposta ainda depende de aprovação em dois turnos tanto no Senado quanto na Câmara dos Deputados para que as novas regras de transição e os critérios diferenciados de aposentadoria entrem em vigor.
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