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Credores aprovam plano de recuperação extrajudicial da Raízen

Acordo de R$ 64,7 bilhões prevê conversão de dívida em ações, aportes da Shell e Aguassanta, e cisão das divisões de energia até 2027.

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Foto: G1 - Economia
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06/06 às 08:45 · atualizado há 1m

Pontos principais

  • O plano de recuperação extrajudicial abrange um passivo de R$ 64,7 bilhões, sendo o maior já registrado no Brasil.
  • A proposta obteve adesão de 75,45% dos credores financeiros e 70% dos bondholders.
  • Credores possuem três opções de reestruturação, incluindo a conversão de 45% da dívida em ações.
  • A Shell liderará um aporte de R$ 3,5 bilhões, com reforço de R$ 500 milhões da Aguassanta Participações.
  • A Raízen confirmou a venda de sua operação na Argentina para a trading Mercuria por US$ 1,4 bilhão.
  • A companhia será dividida em Raízen Energia e Raízen Combustíveis até o fim de 2027.
  • Os credores assumirão a maioria das cadeiras no conselho de administração, incluindo a posição de chairman.

A Raízen protocolou formalmente seu plano de recuperação extrajudicial após obter a adesão necessária de seus credores para reestruturar um passivo de R$ 64,7 bilhões, montante que marca o maior processo do gênero já registrado no Brasil. A estratégia visa sanear a estrutura de capital da companhia, que enfrentou pressão financeira acentuada por investimentos agressivos, taxas de juros elevadas e condições climáticas adversas nas últimas safras. O plano oferece três opções distintas aos credores, incluindo a conversão de 45% da dívida em participação acionária, o que resultará na transferência de mais de 80% do controle da empresa para os credores, que também passarão a ocupar a maioria das cadeiras no conselho de administração. O processo é conduzido pelo Chief Restructuring Officer (CRO) Lorival Nogueira Luz Jr.

Além da reestruturação do passivo, a empresa confirmou a venda de sua operação na Argentina para a trading Mercuria por US$ 1,4 bilhão, movimento que reforça a liquidez durante o processo. O acordo inclui uma injeção de capital de R$ 3,5 bilhões liderada pela Shell, com aporte adicional de R$ 500 milhões da Aguassanta Participações, de Rubens Ometto. A companhia também planeja uma reorganização societária com a cisão das divisões de Energia e Combustíveis, prevista para ser concluída até o final de 2027, visando maior eficiência operacional.

Como parte das negociações, o licenciamento da marca Shell será renovado por 15 anos, com a implementação de uma nova metodologia para o cálculo de royalties. A administração da Raízen ressaltou que a reestruturação foca exclusivamente no passivo financeiro e não impacta as operações correntes com clientes, fornecedores e parceiros comerciais. A medida busca assegurar a sustentabilidade do negócio a longo prazo, permitindo que a empresa atravesse o ciclo de desalavancagem com uma estrutura de capital mais equilibrada e governança redefinida.

Fonte primária

Raízen S.A. / CVM (Empresas.NET)

Fato Relevante — Protocolo do Plano de Recuperação Extrajudicial (05/06/2026)

A Raízen comunica que protocolou nesta data, na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, seu Plano de Recuperação Extrajudicial, com adesão relevante de todos os grupos de credores (títulos internacionais, títulos locais e bancos) somando 75,45% dos créditos financeiros e quirografários abrangidos — valor total de R$ 64,7 bilhões, excluídos créditos intercompany —, atendendo ao art. 163 da Lei nº 11.101/2005 e com o quórum alcançado antes do prazo de 90 dias. As principais medidas: (i) aumento de capital de R$ 3,5 bilhões pela Shell em dinheiro no fechamento, mais eventual aporte de R$ 500 milhões pela Aguassanta Participações (família Rubens Ometto, controlador da Cosan), ambos recebendo ações ordinárias; (ii) conversão de 45% dos Créditos Reestruturados em participação acionária via Units (1 ON + 1 PN) a R$ 0,50 por Unit, equivalente a R$ 0,25 por ação; (iii) substituição/refinanciamento/aditamento dos 55% restantes por novos títulos de dívida (Novas Notas RSA e RESA); (iv) medidas estruturais adicionais — segregação de ativos, desinvestimentos e reorganizações societárias. Há ainda opção de pagamento com deságio significativo e opção de pré-pagamento em dinheiro com desconto para credores de menor valor, sujeita a limite global de cerca de R$ 150 milhões. Segundo a Companhia, o Plano busca equacionar a liquidez de curto e médio prazo, reduzir significativamente a alavancagem, preservar a continuidade operacional e assegurar tratamento equitativo aos credores. O Plano seguirá para homologação judicial (art. 164 da LFR), observado o prazo de 30 dias para objeções. A Raízen reafirma que a recuperação extrajudicial tem escopo estritamente financeiro e não abrange obrigações com clientes, fornecedores e revendedores. Assinado por Lorival Nogueira Luz Jr., CFO e DRI.

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