Raízen obtém adesão de 75% dos credores para recuperação extrajudicial
Com apoio de 75% dos credores, a Raízen avança em plano de R$ 66 bilhões que prevê conversão de dívidas em ações e cisão da companhia até 2027.
Pontos principais
- O plano conta com adesão de 75% dos credores, superando o requisito mínimo de 70% para a validação do processo.
- A reestruturação prevê a conversão de 45% da dívida em ações, reduzindo a participação da Cosan e dando aos credores o controle do conselho.
- A Shell aportará R$ 3,5 bilhões e a Aguassanta Investimentos injetará R$ 500 milhões na companhia.
- A empresa será dividida em duas unidades operacionais, Raízen Energia e Raízen Combustíveis, com conclusão prevista para 2027.
- A medida visa reduzir a alavancagem financeira e eliminar uma despesa anual de R$ 4,5 bilhões em juros.
A Raízen consolidou um passo decisivo em sua reestruturação financeira ao obter a adesão de 75% de seus credores para o plano de recuperação extrajudicial, que abrange um passivo de R$ 66 bilhões. O acordo, que supera o patamar mínimo de 70% necessário para a homologação, estabelece uma mudança profunda na governança da companhia. Com a conversão de 45% da dívida em participação acionária, os credores passarão a deter mais de 80% do capital social e terão o direito de indicar quatro dos sete membros do novo conselho de administração, reduzindo drasticamente a fatia da controladora Cosan. O processo de capitalização conta com aportes de R$ 3,5 bilhões da Shell e R$ 500 milhões da Aguassanta Investimentos.
Além do ajuste no balanço, a estratégia inclui a venda das operações na Argentina para a Mercuria Energy Group por US$ 1,4 bilhão e uma reestruturação operacional que culminará na cisão da Raízen em duas empresas distintas — Raízen Energia e Raízen Combustíveis — até o final de 2027. Sob a supervisão de Lorival Luz, que atua como CRO, a companhia busca eliminar uma despesa anual de R$ 4,5 bilhões em juros e equacionar um passivo tributário de R$ 25 bilhões. A conclusão de todo o processo de capitalização e reestruturação societária está prevista para o primeiro trimestre de 2027, visando estabilizar a alavancagem financeira que atingiu 5,3 vezes em março.
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