Raízen convoca assembleias para votar plano de reestruturação de dívida
A Raízen avança na renegociação de R$ 65 bilhões em dívidas, incluindo títulos no exterior, com plano que prevê conversão de passivo em ações e nova governança.
Pontos principais
- A Raízen realiza assembleias com debenturistas e titulares de CRAs para votar seu plano de recuperação extrajudicial.
- O plano visa renegociar R$ 65 bilhões em dívidas, incluindo R$ 27 bilhões em títulos emitidos no exterior.
- A proposta inclui aportes de R$ 3,5 bilhões da Shell e R$ 500 milhões da Aguassanta Investimentos.
- Cerca de 45% da dívida será convertida em ações, resultando na transferência de mais de 80% do controle da companhia aos credores.
- A nova governança prevê conselho de sete membros, com maioria e presidência indicadas pelos credores.
- A estratégia inclui a segregação das unidades de energia e combustíveis e a venda de ativos, como a operação na Argentina, estimada em US$ 1,4 bilhão.
- Lorival Luz atuará como Chief Restructuring Officer para supervisionar a implementação do plano até 2027.
A Raízen avançou no processo de reestruturação de seu passivo, que soma R$ 65 bilhões, ao convocar assembleias de debenturistas e titulares de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs). O plano de recuperação extrajudicial, que agora conta com a adesão de detentores de títulos emitidos no exterior, visa estabilizar a estrutura de capital da companhia, afetada por apostas malsucedidas em etanol e combustíveis de aviação, além do cenário de juros elevados. A empresa busca o apoio de mais de 70% dos credores para viabilizar a operação até o dia 8 de junho.
A proposta contempla aportes de R$ 3,5 bilhões da Shell e R$ 500 milhões da Aguassanta Investimentos, além da conversão de 45% da dívida em equity. Com essa medida, os credores passarão a deter mais de 80% da companhia. Adicionalmente, o plano prevê a venda de ativos não essenciais, como a operação na Argentina, que possui potencial de arrecadação de até US$ 1,4 bilhão, reforçando o caixa da empresa durante o período de transição.
Além da injeção de recursos, a reestruturação impõe uma mudança profunda na governança corporativa. O conselho de administração passará a ser composto por sete membros, sendo a maioria indicada pelos credores, que também ocuparão a cadeira de chairman. Para assegurar a execução das metas, que incluem a segregação das unidades de energia e combustíveis até 2027, Lorival Nogueira Luz Jr. acumulará a função de Chief Restructuring Officer, sob a supervisão de um comitê de credores. Embora a Cosan deva deixar o conselho, foi sinalizada a possibilidade de permanência de Rubens Ometto caso ele realize um aporte adicional de R$ 500 milhões.
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