A Raízen, uma das maiores empresas de energia do Brasil e joint venture entre Cosan e Shell, entrou com um pedido de recuperação extrajudicial na Comarca da Capital de São Paulo para reestruturar uma dívida que totaliza R$ 65,1 bilhões. A medida busca proporcionar um ambiente jurídico seguro para a negociação e implementação da reestruturação financeira da companhia, que enfrenta dificuldades devido a uma combinação de fatores, incluindo alto endividamento por investimentos em projetos de transição energética com retornos lentos, juros altos e perdas operacionais por condições climáticas adversas. A dívida líquida da empresa atingiu R$ 55,3 bilhões no final de dezembro, resultando em uma alavancagem de 5,3 vezes, e a empresa registrou um prejuízo de R$ 15,6 bilhões no terceiro trimestre do ano fiscal 2025/2026. A deterioração da saúde financeira da Raízen levou à perda do grau de investimento pelas agências Moody’s, S&P e Fitch, e suas ações (RAIZ4) caíram 7,69% após o anúncio, acumulando queda de 70,11% nos últimos 12 meses.
O plano de reestruturação de dívidas foi consensualmente estruturado com os principais credores financeiros e já obteve a adesão de credores que representam mais de 47% das dívidas financeiras sem garantia (quirografárias), indicando um avanço nas tratativas e a disposição para discutir novas condições de pagamento. Além disso, os acionistas Shell e Rubens Ometto (Cosan) concordaram em injetar R$ 4 bilhões na Raízen como parte de uma proposta de reestruturação mais ampla. A empresa terá um prazo de até 90 dias para conseguir o apoio mínimo necessário para que o plano seja homologado pela Justiça. Durante este período, a Raízen suspenderá pagamentos de dívidas, incluindo um CRA de R$ 900 milhões e debêntures, impactando diretamente investidores desses títulos.
Analistas do Bradesco BBI indicam que a reestruturação pode envolver injeções de capital, conversão de dívida em ações e venda de ativos. O Goldman Sachs observa que a reestruturação não é uma surpresa total e pode levar à diluição da participação da Cosan (CSAN3) na Raízen. Apesar do pedido de recuperação, a empresa afirma que a recuperação extrajudicial é estritamente financeira e as operações da Raízen, que incluem a produção de açúcar, etanol (primeira e segunda geração), bioeletricidade, biogás e a distribuição de combustíveis Shell no Brasil, Argentina e Paraguai, seguem normalmente, sem afetar clientes, fornecedores e parceiros. A empresa, que é a maior produtora mundial de etanol e biomassa de cana-de-açúcar, também opera as lojas de conveniência Shell Select e Shell Café, e o aplicativo Shell Box.
Especialistas apontam que o pedido de recuperação extrajudicial da Raízen, em conjunto com outros casos como o do GPA, indica um ambiente financeiro mais restritivo no país, com a Selic elevada em 15% e a volatilidade internacional impactando a sustentabilidade financeira de empresas em diversos setores. Essa situação acende um alerta no mercado de crédito privado, especialmente para investidores pessoa física que possuem CRIs, CRAs e debêntures incentivadas da Raízen, que podem enfrentar um forte deságio (30% a 40% do valor de face) ao tentar vender seus ativos. O risco principal é o cansaço do cotista e a aversão a investimentos de crédito se o risco percebido for muito alto para o prêmio oferecido, expondo a falta de “colchão” nos fundos de crédito devido a spreads espremidos. Analistas preveem volatilidade para as ações da Raízen no curto e médio prazos, com o mercado reagindo com cautela. A Shell, uma das controladoras da Raízen, não pretende aumentar sua participação, o que reduz a expectativa de suporte de capital robusto no curto prazo. O cenário levará a um aumento da seletividade e do custo de financiamento no mercado de crédito corporativo, com investidores buscando mais garantias.
InfoMoney • 11 mar, 16:35
InfoMoney • 11 mar, 13:26
Agência Brasil - EBC • 11 mar, 11:05
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