EUA iniciam investigação contra Brasil por restrições ao etanol
O governo americano investiga o Brasil sob a Seção 301, enquanto o setor sucroenergético busca negociar o desequilíbrio tarifário entre os dois países.
Pontos principais
- O USTR abriu investigação baseada na Seção 301 contra práticas brasileiras no etanol, serviços financeiros e comércio digital.
- O governo dos EUA ameaça aplicar uma tarifa punitiva de 25% sobre produtos brasileiros após o relatório do USTR.
- Entidades como a Unica defendem que a política tarifária brasileira segue regras do Mercosul e não é discriminatória.
- Existe um desequilíbrio tarifário, com o Brasil taxando o etanol americano em 18% e os EUA taxando o brasileiro em 2,5%.
- A investigação reflete pressões políticas de produtores americanos de etanol de milho, que é usado na mistura obrigatória no Brasil.
- O setor sucroenergético brasileiro destaca que os EUA mantêm barreiras protecionistas contra o açúcar nacional há décadas.
- Especialistas avaliam que o cenário de investigação pode abrir espaço para uma negociação comercial mais ampla entre os dois governos.
A relação comercial entre Brasil e Estados Unidos enfrenta nova tensão após a abertura de uma investigação pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) sob a Seção 301. O órgão apura supostas práticas desleais brasileiras, que incluem barreiras ao etanol americano, restrições a serviços financeiros, além de questões sobre propriedade intelectual e comércio digital. O movimento ocorre em um cenário de agenda protecionista do governo Trump, que ameaça impor uma tarifa punitiva de 25% sobre produtos brasileiros como retaliação. Em resposta, o setor sucroenergético refutou as alegações, apontando que o Brasil tem sido alvo de barreiras americanas contra o açúcar há décadas.
O debate sobre o etanol ganha contornos técnicos devido ao desequilíbrio tarifário, com o Brasil aplicando uma alíquota de 18% sobre o produto americano, enquanto os EUA taxam o brasileiro em 2,5%. Embora o Brasil tenha aumentado sua autossuficiência, com 95% da produção destinada ao mercado interno, o etanol de milho importado segue relevante para a mistura obrigatória com a gasolina. Diante do impasse, especialistas e representantes do setor acreditam que a investigação pode servir como um catalisador para negociações comerciais mais amplas, visando equilibrar as condições de mercado entre os dois países e evitar danos às cadeias produtivas bilaterais.
Comentários
Carregando comentários...
