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Ferrari lança seu primeiro carro elétrico de cinco lugares

O modelo Luce marca a entrada da Ferrari nos elétricos, mas o design de Jony Ive e a mudança estratégica causaram queda de mais de 8% nas ações da montadora.

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Foto: Bloomberg - Markets
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26/05 às 05:02 · atualizado há 1m

Pontos principais

  • O Luce é o primeiro veículo 100% elétrico da Ferrari, com autonomia de 530 km e aceleração de 0 a 100 km/h em 2,5 segundos.
  • O modelo comporta cinco passageiros e é o carro mais pesado já produzido pela fabricante italiana.
  • O design minimalista assinado por Jony Ive e o coletivo LoveFrom gerou críticas, sendo comparado a veículos elétricos de massa.
  • As ações da Ferrari registraram queda de 8,37% na Bolsa de Milão após o anúncio, somando-se a uma desvalorização anual de 25%.
  • O preço do veículo foi fixado entre 610 mil e 640 mil dólares.
  • O conjunto propulsor conta com quatro motores elétricos que entregam 1.050 cavalos de potência.
  • A empresa revisou sua meta de eletrificação para 2030, reduzindo a projeção de veículos elétricos na oferta total de 40% para 20%.
  • O lançamento ocorre em um cenário de desaceleração na demanda global por veículos elétricos de luxo.
  • O interior do modelo adota uma filosofia minimalista, inspirada na estética de produtos da Apple.

A Ferrari oficializou sua entrada no mercado de veículos totalmente elétricos com o lançamento do Luce, um modelo de cinco lugares com preço inicial na faixa de 610 mil a 640 mil dólares. O veículo, que entrega 1.050 cavalos de potência por meio de quatro motores elétricos e tração integral, marca um afastamento significativo da tradição da marca em motores a combustão. O design, desenvolvido em parceria com Jony Ive e Marc Newson, do coletivo LoveFrom, rompe com a estética clássica dos esportivos da fabricante e tem sido alvo de reações polarizadas, com críticas ao estilo minimalista e elogios à inovação tecnológica. O modelo também se destaca por ser o mais pesado já produzido pela montadora italiana.

O anúncio foi recebido com ceticismo pelo mercado financeiro, resultando em uma queda de 8,37% nas ações da companhia na Bolsa de Milão. Analistas indicam que a reação negativa reflete receios sobre a possível diluição da identidade da marca e incertezas quanto à aceitação do novo estilo por clientes de luxo. Este movimento ocorre em um contexto desafiador para a empresa, cujas ações acumulam queda de 25% no último ano, pressionadas pela inflação global. Em resposta ao cenário de volatilidade, a Ferrari revisou suas metas estratégicas, estimando agora que os elétricos representarão 20% de sua oferta em 2030, ante a projeção anterior de 40%.

A iniciativa da Ferrari ocorre em um momento de demanda incerta no setor de luxo, acompanhando um movimento de cautela observado em concorrentes como Lamborghini e Porsche, que também têm reavaliado planos de eletrificação total diante da pressão competitiva. Apesar das críticas ao design e da pressão externa, a montadora busca equilibrar a transição tecnológica com a manutenção de sua estratégia de escassez e exclusividade para colecionadores, tratando o Luce como um teste fundamental para a aceitação da marca sem motores a combustão.

Fonte primária

Ferrari N.V.

Ferrari Luce: A New Chapter for the Maranello Marque

Em Roma, 25 de maio de 2026 — no aniversário da primeira vitória da Ferrari (125 S no Gran Premio di Roma, 1947) — a Ferrari apresentou a Ferrari Luce, seu primeiro carro totalmente elétrico, no Vela di Calatrava. A própria Ferrari destaca que é o primeiro modelo da marca com quatro portas e cinco lugares, algo inédito para o Cavallino (a arquitetura transaxle dos esportivos não permitia um quinto assento). A montadora enquadra o lançamento na sua estratégia multienergia anunciada no Capital Markets Day de 2022: a eletrificação amplia o leque sem substituir os motores a combustão ('neutralidade tecnológica'). O design foi entregue à LoveFrom, coletivo de Sir Jony Ive e Marc Newson, fora do Ferrari Design Studio de Flavio Manzoni. A Ferrari afirma ter desenvolvido e fabricado os principais componentes internamente em Maranello (motores e bateria), com mais de 60 novas patentes. Especificações técnicas declaradas pela Ferrari: plataforma dedicada, quatro motores elétricos (um por roda), bateria de 122 kWh, suspensão ativa derivada do F80, eixo traseiro com esterçamento independente e tração integral elétrica (a primeira em uma Ferrari). Peso de 2260 kg, 0–100 km/h em 2,5 s, 0–200 km/h em 6,8 s, velocidade máxima acima de 310 km/h, potência total máxima de 1050 cv e autonomia superior a 530 km. Maiores rodas escalonadas já usadas em uma Ferrari de série (23" na frente, 24" atrás). O comunicado oficial não menciona preço (os ~€550 mil noticiados vieram de agências, não da Ferrari).

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